ONU combate mutilação genital feminina

ONU combate mutilação genital feminina

Prática ocorre em países da África e Oriente Médio; mais de 100 milhões de mulheres são mutiladas todos os anos.

O apelo foi lançado nesta quarta-feira, para marcar o Dia Internacional contra Mutilação Genital Feminina.

O acto é realizado em 28 países da África e do Médio Oriente, e entre comunidades imigrantes na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.

Segundo o Unfpa, alguns grupos na Índia, Indonésia, Iraque e Malásia também praticariam o costume.

Violação dos direitos

A mutilação é descrita pelo Unfpa como a remoção total ou parcial dos órgãos genitais por motivos culturais ou outras razões não-terapêuticas.

De acordo com a agência da ONU, a mutilação viola os direitos das mulheres à saúde reprodutiva e à integridade física.

A especialista da Comissão das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, Cedaw, Sílvia Pimentel, disse à Rádio ONU, de São Paulo, que a educação da sociedade é essencial para o fim desta prática.

Educação

"Educação nas escolas, educação na sociedade em geral, muito especialmente através dos meios de comunicação, através de debates. Com o argumento primeiro de que ela é um risco primeiro de saúde e de vida para essas meninas. A nossa argumentação ocidental de que ela fere muito os direitos, inclusive os direitos sexuais, não é a mais adequada e apropriada no estágio em que eles estão de debate sobre os direitos das mulheres", disse.

No entanto, Sílvia Pimentel afirma que uma prática milenar como esta, leva tempo para ser erradicada.

"Eles tentam mostrar para a gente que uma prática milenar não é erradicada de um momento para o outro. O que a gente sabe é que, na realidade, esta é sim uma forma brutal de controle da sexualidade e da reprodução da mulher", disse.

Segundo o Unfpa, cerca de 100 a 140 milhões de mulheres são mutiladas todos os anos. Dessas, três milhões são menores.