Timor-Leste: Cinco Anos de Liberdade

Timor-Leste: Cinco Anos de Liberdade

O 5º aniversário de independência do Timor-Leste, marcado em 20 de maio, foi comemorado em Nova York com uma Semana Cultural. O evento, patrocinado pela Missão do país junto às Nações Unidas, apresentou um debate ao vivo entre o atual presidente, Xanana Gusmão e seu sucessor, José Ramos-Horta com os participantes do evento numa videoconferência. A reportagem é de Jorge Soares e Mônica Valéria Grayley.

Marcando a celebração, o presidente Xanana Gusmão e seu sucessor, o presidente eleito José Ramos-Horta participaram de um debate em videoconferência direto de Díli, capital do país do sudeste asiático. O atual presidente abriu o debate, agradecendo e reforçando o apoio da Gabarron Foundation Carriage House Center for the Arts que, que organizou o evento ao lado da Fundação de Desenvolvimento Pós-Conflito, Fpcd.

Gusmão pediu o apoio da Fundação Gabarron para ajudar a divulgar o Timor-Leste nos Estados Unidos. E reforçou a importância dessa inciativa para o desenvolvimento dos jovens timorenses. Já o presidente eleito Ramos-Horta começou seu discurso de forma bem-humorada.

Ele disse que seu primeiro pedido aos participantes do evento, que viajassem ao Timor, seria um pouco de sorvete de uma conhecida marca norte-americana, a Baskin-Robbins. A brincadeira arrancou risadas da platéia em Nova York.

Seguindo no mesmo tom, Ramos-Horta falou sobre os investimentos timorenses nos Estados Unidos.

Ramos-Horta disse que o país tem um fundo de petróleo de cerca de US$ 1 bilhão que estão investidos em títulos do Tesouro Americano e empresas dos Estados Unidos. E com o mesmo bom-humor completou: “Se alguns de vocês estão gozando de boa vida aí em Nova York, é devido aos investimentos do Timor”.

Mas quando o assunto foi a segurança no Timor-Leste, o presidente eleito mudou de tom e foi enfático. E afirmou a necessidade da permanência da Missão da ONU no Timor-Leste por pelo menos 5 anos ainda. Ele disse que a redução drástica do número da Polícia das Nações Unidas, Unpol, atualmente com 2 mil homens, não seria um bom passo. Ele disse ainda que nos próximos dois anos o processo poderia ser entregue à Comissão de Consolidação da Paz.

Respondendo à sugestao do presidente eleito, o embaixador de Angola na ONU, Ismael Martins, que lidera a comissão, disse que o envolvimento do grupo seria um passo normal, e que o assunto já está sendo discutido e analisado. Segundo ele, o papel da comissão é ajudar países que saíram de conflitos a se reerguer de maneira sólida.

A diretora-executiva da Fpcd e idealizadora da semana cultural, Claudia Abate, disse que espera que após o evento, os moradores de Nova York se sintam mais perto da bela e única cultura do Timor. Abate disse que as pessoas precisam estar mais abertas para outras culturas e diferenças. Segundo ela, os seres humanos têm as mesmas expectativas e anseios, por se tratar de um só mundo.

Para o embaixador do Timor-Leste nas Nações Unidas, Nelson Santos, o país pode estar ainda mais integrado na comunidade internacional.

“Nós, por muitos anos, estivemos junto da comunidade, mas depois da independência temos estado afastados da comunidade. E essa iniciativa da fundação da Cláudia Abate e também da Fundação Gabarron foi extremamente útil para nós. Para afirmar que temos aqui amigos, que sempre nos ajudaram, temos uma cultura que a cidade aprecia e que devemos não só estar na parte diplomática, mas também na parte cultural, contribuir para a cidade de NovaYork”, afirmou.

Durante o evento, a filha do Embaixador Nelson Santos, Daniela, foi à frente para se apresentar ao lado do grupo Voices of Union, da produção Rose Bapier, especializada no folclore do Timor-Leste. Ainda criança, Daniela, mostrou criatividade também ao descrever seu país na forma de um "crocodilo", como o Timor-Leste é percebido no mapa.

Nações Unidas em Ação

Produção: Rádio ONU em Nova York

Apresentação: Camilla Menezes

Reportagem: Monica Valéria e Jorge Soares

Produção: Camilla Menezes, Eduardo Costa e Sandra Guy

Direção Técnica: Peter Kurisco e Eduardo Costa