OMS lança guia para novo teste de HIV feito pela própria pessoa
BR

29 novembro 2016

Agência da ONU afirma que a falta de diagnóstico representa um obstáculo ao tratamento; mais de 18 milhões de pessoas com HIV recebem a terapia antirretroviral em todo o mundo.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou esta terça-feira, um guia para o autoexame para detectar o HIV e melhorar o diagnóstico do vírus da Aids.

Segundo a agência da ONU, a falta de diagnóstico representa um grande obstáculo à implementação das recomendações da organização para que todos com HIV tenham acesso a tratamento.

Remédios Antirretrovirais

Pelos cálculos da OMS, mais de 18 milhões de pessoas no mundo com HIV estão recebendo o coquetel de antirretrovirais para combater o vírus.

A agência acredita que um número quase igual ainda não tem acesso ao tratamento, sendo que a maioria dessas pessoas não tem ideia de que são soropositivas.

Em entrevista à Rádio ONU, de Maputo, em Moçambique, o diretor do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids, Unaids, no país, José Henrique Zelaya, falou sobre a situação na região.

Informação adequada

“Tem sido uma preocupação constante ter informação adequada relativa à epidemia de HIV/Aids no país. Nós sabemos hoje que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas estão a viver neste momento com HIV em Moçambique. O Ministério da Saúde (de Moçambique) tem, atualmente, aproximadamente 900 mil pessoas em tratamento.”

Henrique Zelaya disse ainda que nos últimos quatro anos, Moçambique registrou um avanço muito grande na prevenção da transmissão do vírus de mãe para filho, a transmissão vertical.

“Abrir a porta”

Atualmente, mais de 35 milhões de pessoas têm HIV, desse total, 40% continuam sem saber a sua condição. A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que “milhões de pessoas com o vírus não recebem tratamento que também pode prevenir a transmissão para outros”.

Chan afirmou que o “teste vai abrir a porta para que muitos possam saber se estão com HIV e buscar tratamento de saúde”.

O exame é simples, pode ser feito usando saliva ou sangue, retirado de uma picada no dedo, como é feito com o teste de diabetes. O resultado demora cerca de 20 minutos ou menos.

A OMS recomenda que as pessoas que testarem positivo devem buscar confirmação em testes em clínicas de saúde. A agência da ONU diz que esses testes são uma forma de alcançar um número maior de pessoas.

Barreiras

Além disso, são importantes também para os que enfrentam barreiras de acesso a serviços de saúde. Entre 2000 e 2015, subiu de 12% para 60% a proporção de pessoas com HIV que tomaram conhecimento de sua condição.

Segundo dados da OMS, os homens representam apenas 30% das pessoas testadas para HIV. As mulheres também estão nesta situação. Por exemplo, adolescentes e jovens do sexo feminino no leste e sul da África apresentam índices oito vezes mais altas de infecção do que os homens da mesma idade.

Os testes em populações chave e seus parceiros continuam muito baixos, entre eles estão homens que têm relações com outros homens, trabalhadores do sexo, transgêneros, pessoas que usam drogas injetáveis e prisioneiros.

Políticas nacionais

Esses grupos correspondem a 44% dos 1,9 milhão de novas infecções em adultos que acontecem todos os anos.

A agência da ONU informou que 23 países têm atualmente políticas nacionais que apoiam os novos testes de HIV da OMS. Muitos outros estão desenvolvendo políticas mas a implementação dessas regras continua muito limitada.

A Organização Mundial da Saúde apoia a distribuição gratuita dos testes ou outras medidas que possam reduzir os preços do material.

A OMS não tem os detalhes sobre a disponibilidade do teste, quando chegará às farmácia nem o preço.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud