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Trabalhadores migrantes de língua portuguesa buscam cada vez mais Portugal

Cabo Verde acolhe o primeiro programa-piloto para integração de jovens profissionais dos países lusófonos em Portugal
ONU News/Leda Letra
Cabo Verde acolhe o primeiro programa-piloto para integração de jovens profissionais dos países lusófonos em Portugal

Trabalhadores migrantes de língua portuguesa buscam cada vez mais Portugal

ODS



Em entrevista à ONU News, ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, destaca benefícios do acordo de Mobilidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp; Cabo Verde acolhe primeiro programa-piloto na mira de contratos e investimento na qualificação de jovens.

 

 

De 2015 até agora, Portugal notificou um aumento de seis vezes no número de trabalhadores migrantes. E para a nação de língua portuguesa, esta taxa deve crescer no futuro próximo.

A informação foi dada à ONU News pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social do país durante sua visita oficial às Nações Unidas, em Nova Iorque. Ana Mendes Godinho lembra que o país é aberto e aposta nos cidadãos da Cplp como fator de crescimento.

Diálogo intergeracional

“Porque é condição crítica do nosso crescimento. Portugal precisa mesmo de pessoas. Se nós olharmos para a evolução de número de trabalhadores estrangeiros em Portugal: nós tínhamos em 2015, cerca de 100 mil trabalhadores estrangeiros a trabalhar ativamente em Portugal. Neste momento, temos cerca de 640 mil. Uma evolução imensa, mas que mostra bem também a forma como o país procura posicionar-se do ponto de vista de país aberto, de acolhimento e que aposta muito na Comunidade de Língua Portuguesa como fator crítico de crescimento.”

As declarações da ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, foram feitas em paralelo à 61ª Sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social da ONU, onde ela deve discursar.

 

A ministra defendeu novas formas de trabalho como qualidade essencial para atrair a população. O tema foi debatido no Diálogo Intergeracional coorganizado pela Missão de Portugal e a União Europeia junto das Nações Unidas.

“Nós, neste momento, estamos cada vez com mais procura por parte de trabalhadores de vários sítios do mundo, mas concretamente de países de língua portuguesa pela ligação natural da língua, que facilita a integração, mas porque também temos comunidades muito importantes de pessoas de países de língua portuguesa. Temos, neste momento, alguns projetos-piloto a arrancar precisamente para garantir que as pessoas quando chegam a Portugal têm uma integração digna e que são bem valorizadas também no mercado de trabalho.”

A ministra Ana Mendes Godinho contou que Cabo Verde acolhe o primeiro programa-piloto para integração de jovens profissionais dos países lusófonos em Portugal. A nação europeia aposta também no investimento local para melhorar as qualificações dos candidatos.

“Há uma parceria com Cabo Verde. É entre os dois institutos de formação profissional de Cabo Verde e Portugal para garantir que há aqui um match. E que as pessoas podem se inscrever, mesmo estando em Cabo Verde indicando, por exemplo, as suas áreas de competência e onde gostavam de trabalhar em Portugal. Para fazer o match com as empresas em Portugal para que as pessoas sejam desde logo bem enquadradas. E estamos a fazer uma coisa muito importante. Pode ser o início de uma ótima parceria e cooperação com países de língua portuguesa: fazer o investimento diretamente nos países de língua portuguesa. Estamos a arrancar com Cabo Verde para posicionar o país como um corredor de formação em África e vai ajudar na aposta nas qualificações e talento para o futuro.”

Sistemas de proteção social

A ministra Godinho falou ainda do Acordo de Mobilidade na Cplp, que havia sido ratificado inicialmente por Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal, Guiné-Bissau e Moçambique até o final de 2021.

Taxa de trabalhadores migrantes em portugal deve crescer no futuro próximo
Unsplash/McGill
Taxa de trabalhadores migrantes em portugal deve crescer no futuro próximo

“Acho que é a afirmação da língua portuguesa como ativo de talento no mundo. Isto é um poder, do ponto de vista social e económico, muito importante. Por outro lado, também garante que depois, e esse é o nosso passo seguinte, para garantir que há um reconhecimento de direitos entre países associados à vida profissional das pessoas, nomeadamente, depois na interação de sistemas de proteção social. Para garantir que o trabalho desenvolvido, em cada um destes países depois, é reconhecido nos outros para que a pessoa tenha sua vida dentro dos próprios sistemas de proteção social garantidos, reconhecidos e que também assegure os direitos futuros, nomeadamente, no envelhecimento.”

A ministra cumpre uma agenda intensa esta semana na ONU.

Na terça-feira a intervenção será no Fórum Ministerial que abordará o trabalho digno. Já na quarta, participa num painel de alto nível sobre a quarta revisão e avaliação do Plano de Ação Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento.

A visita prevê reuniões com a vice-secretária-geral das Nações Unidas, o subsecretário-geral para Assuntos Económicos e Sociais para Questões de Política e a representante especial da Organização Internacional do Trabalho, OIT.