Irã deve ser transparente sobre seu programa nuclear, afirma chefe da Aiea
BR

3 agosto 2022

Diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, afirmou que estrutura iraniana é ambiciosa e deve ser verificada; sobre controle russo na usina de Zaporizhzhya, na Ucrânia, ele diz que guerra ameaça um dos maiores programas de energia nuclear do mundo.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, está na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para a 10ª Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e concedeu uma entrevista coletiva nesta terça-feira.

Rafael Mariano Grossi reagiu ao posicionamento do governo iraniano em seguir com seu programa nuclear. Para o chefe da agência da ONU, o país tem uma estrutura “muito ambiciosa que deve ser verificada de maneira apropriada”.

Protestos contra armas nucleares no Reino Unido
CND/Henry Kenyon
Protestos contra armas nucleares no Reino Unido

Irã

Ao ser perguntado por jornalistas, ele adicionou que declarações do Irã não serão suficientes para os inspetores internacionais e espera que o país esteja pronto para ser transparente sobre seu programa nuclear que, na avaliação de Mariano Grossi, está “avançando muito rápido”.

Grossi ressaltou que o programa iraniano está crescendo também em tamanho, ambição e capacidade. Em 2015, o Irã havia limitado seu programa nuclear em troca do alívio de sanções econômicas dos Estados Unidos, União Europeia e ONU. No entanto, as negociações entre os países para a retomada e implementação do Plano de Ação Conjunto e Abrangente, ou Jcpoa na sigla em inglês, seguem em aberto.

Para o chefe da Aiea, a falta de progresso na verificação da natureza pacífica do programa nuclear do Irã terá consequências no cenário de segurança regional. 

Em seu discurso no 10ª Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, ele também reforçou que o Irã deve fornecer informações necessárias e completas para dar ao mundo garantias que seu programa é para fins exclusivamente pacíficos.

Diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi com especialistas em segurança e proteção em missão na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.
IAEA
Diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi com especialistas em segurança e proteção em missão na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.

Ucrânia

O diretor-geral da Aiea também comentou sobre a situação na usina nuclear de Zaporizhzhya, na Ucrânia, que está sob o controle das tropas russas. Ele afirmou que é necessário que Rússia e Ucrânia se alinhem para que a Aiea possa fazer uma avaliação técnica da segurança na planta. 

Grossi afirma que levar uma equipe até o local é extremamente complexo e precisa da cooperação das partes já que, embora seja uma instalação ucraniana, segue ocupada pela Rússia.

Na abertura da 10ª Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, nesta segunda-feira, o chefe da Aiea afirmou que o conflito “está ameaçando um dos maiores programas de energia nuclear do mundo”. 

Na avaliação de Grossi, as instalações e o povo ucraniano foram colocados em perigo pela ocupação da usina nuclear de Chernobil e pela ocupação contínua da de Zaporizhzhya.

Aos participantes do evento, ele afirmou que o mundo está confiando nas autoridades para evitar que a guerra cause uma tragédia nuclear, o que agravaria a catástrofe que já se ocorre na Ucrânia e “causa fome e insegurança além de suas fronteiras”.
 

 

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