Falta de financiamento leva PMA a suspender entrega de alimentos no Sudão do Sul
BR

14 junho 2022

Medida faz aumentar risco de fome para 1,7 milhão de pessoas; mais de 60% da população do país enfrenta insegurança alimentar, impulsionada pelo conflito, por fortes enchentes, seca localizada e alta no preço das commodities; agência precisa de US$ 426 milhões. 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, anunciou esta terça-feira que terá de suspender suas operações no Sudão do Sul devido à falta de financiamento.  

A agência precisa de US$ 426 milhões para conseguir entregar assistência alimentar para 6 milhões de pessoas no país até o final do ano.  

Maior risco de fome  

Região de Unity, Sudão do Sul, enfrentou em dezembro as piores cheias em 60 anos.
Foto: Unmiss
Região de Unity, Sudão do Sul, enfrentou em dezembro as piores cheias em 60 anos.

 

Quase um terço dos civis que sofrem de insegurança alimentar e seriam beneficiados pela agência da ONU deverão ficar sem assistência nesse ano, aumentando o risco de fome para 1,7 milhão de pessoas.  

Segundo o PMA, o povo sul-sudanês enfrenta um ano de fome sem precedentes, com mais de 60% da população sofrendo com pouco acesso aos alimentos. 

Conflitos internos, enchentes severas, seca localizada e alta nos preços das principais commodities alimentares, exacerbada pela crise na Ucrânia, são os motivos para o aumento da fome no país africano.  

Medidas já foram esgotadas 

Uma criança carrega recipientes vazios para encher com água de uma torneira próxima, que fornece água não tratada do rio Nilo em Juba, Sudão do Sul
© Unicef/Phil Hatcher-Moore
Uma criança carrega recipientes vazios para encher com água de uma torneira próxima, que fornece água não tratada do rio Nilo em Juba, Sudão do Sul

 

A diretora-adjunta do PMA no Sudão do Sul, Adeyinka Badejo, declarou que está “extremamente preocupada com o impacto que os cortes no financiamento terão para crianças, mulheres e homens que não terão o suficiente para comer”, principalmente por serem famílias que já esgotaram todas as estratégias de sobrevivência. 

Bedejo afirmou também que as “necessidades humanitárias são maiores do que o financiamento recebido este ano” e se a situação continuar, “os problemas no futuro serão maiores e mais dispendiosos, incluindo aumento da mortalidade, da desnutrição, da fome e de doenças”. 

O PMA garante que tomou todas as medidas possíveis antes de decidir suspender as operações, incluindo diminuir as porções de comida no ano passado. A redução na assistência prejudicará também 178 mil crianças que ficarão sem receber refeições nas escolas.  

 

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