Ômicron: 10 mitos sobre a nova variante da Covid-19
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3 fevereiro 2022

De acordo com a OMS, em 10 semanas, a cepa gerou 90 milhões de novos casos, superando o número de infecções notificadas em 2020; a alta propagação do vírus espalhou também diversos mitos sobre a pandemia.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, declarou a Ômicron como uma variante “preocupante” em 26 de novembro de 2021. Desde então, surgiram muitos mitos sobre a nova cepa dificultando a tomada de decisões por cidadãos e governos. 

Um dos fatos mais alarmantes é que os dados epidemiológicos confirmam que houve um aumento na taxa de infecção com a propagação da nova variante.  Para diminuir tais dúvidas e evidenciar fatos de notícias falsas, a OMS preparou este guia.

Variante Ômicron é altamente contagiante e se espalha rápido em países como Itália (foto).
Unsplash/Gabriella Clare Marino
Variante Ômicron é altamente contagiante e se espalha rápido em países como Itália (foto).

Redes sociais

O diretor-geral da OMS, Tedros Gebreyesus, afirmou que foram reportados 90 milhões de novos casos nas últimas 10 semanas. O número é superior ao total de infecções em 2020.

Para evitar que os mitos se propaguem tão rapidamente quanto a variante Ômicron, a OMS reuniu as dúvidas mais comuns que estão circulando nas redes sociais, mídia e buscas na internet e explicou, com base em ciência, o que é verdade.

1) É falso que todos os casos de Ômicron são leves
Fato: a Ômicron parece ser menos grave que a variante Delta, mas não deve ser considerada leve

Vários países mostraram que a gravidade da infecção pela variante Ômicron em suas populações foi menor em comparação à Delta. 

No entanto, os estudos têm ocorrido, sobretudo, em países com altas taxas de vacinação. 

Assim, a OMS afirma que ainda é cedo para prever o impacto da Ômicron nos países com menores taxas de vacinação e nos grupos mais vulneráveis.

2) É falso que com “a Ômicron menos grave”, haverá menos hospitalizações
Fato: Ômicron representa um alto risco para os sistemas de saúde

Os dados atuais indicam que a Ômicron se espalha mais facilmente do que a variante Delta. 

Com sintomas mais leves de Covid-19, uma porcentagem menor de pacientes precisa de hospitalização. 

No entanto, dado o número muito elevado de infecções, essa quantidade menor representa muitas internações. 

Isso torna mais difícil para os sistemas de saúde tratar pacientes com Covid-19 e outros tipos de doenças.

Número de óbitos entre brasileiros de 50 a 60 anos, que contraem o novo coronavírus, triplicou
Agência Brasil/Marcelo Camargo
Número de óbitos entre brasileiros de 50 a 60 anos, que contraem o novo coronavírus, triplicou

3) É falso que a Ômicron é semelhante a um resfriado comum
Fato: a Ômicron é muito mais perigosa do que um resfriado comum

A Ômicron não é como um resfriado comum. A variante aumenta as chances de hospitalização e mortes entre os infectados. 

Além disso, as pessoas infectadas pela Ômicron também correm o risco de desenvolver os efeitos de longo prazo da Covid, conhecidos como  Covid longa.

4) É falso que a sublinhagem da Ômicron, BA.2, não pode ser detectada
Fato: Todos os subtipos de Ômicron podem ser detectados

A variante Ômicron inclui quatro linhagens ou subtipos. 

A BA.1 é a responsável pela última onda de casos de Covid-19, mas BA.2 está aumentando em muitos países, incluindo Índia, África do Sul, Reino Unido e Dinamarca.

BA.2 difere da BA.1 em algumas proteínas, incluindo a proteína spike. 

A OMS explica que a BA.2 não causa uma marca específica em exames laboratoriais, podendo ser muito semelhante a outras versões do coronavírus, como a Delta, em uma primeira triagem. 

Isso não significa que a variante não pode ser detectada, mas sim que a detecção é feita de forma diferente.

A OMS pediu "priorização da pesquisa, independente e comparativa" sobre as características de BA.2, incluindo sua capacidade de propagação e sobre a eficácia das vacinas disponíveis.

5) É falso que as vacinas não funcionam contra a Ômicron
Fato: As vacinas oferecem a melhor proteção disponível contra a Ômicron

As vacinas continuam protegendo contra casos mais graves da doença e morte em casos de Covid-19 causados pela Ômicron, assim como fazem com as outras variantes ainda em circulação. 

Até agora, a taxa comparativamente mais baixa de hospitalizações e mortes se deve em grande parte ao fato de muitas pessoas já estarem vacinadas.

A vacinação estimula a resposta imunológica do corpo contra o vírus, que não apenas nos protege das variantes atualmente em circulação, mas também de ficar gravemente doente de possíveis futuras mutações.

Mulher recebe segunda dose da vacina contra Covid-19 em uma igreja em Kasungu, Malawi.
© Unicef/Thoko Chikondi
Mulher recebe segunda dose da vacina contra Covid-19 em uma igreja em Kasungu, Malawi.

6) É falso que as pessoas que não se vacinaram não ficarão gravemente doentes com Ômicron
Fato: Pessoas não vacinadas correm mais risco de contrair a Ômicron

A grande maioria das pessoas hospitalizadas em países onde a Ômicron se tornou a variante dominante não é vacinada. 

Se não forem tomadas medidas para interromper a transmissão do Covid-19, a variante Ômicron seguirá se espalhando com grande velocidade e, como na onda Delta, as pessoas não vacinadas serão as mais afetadas. 

A principal recomendação da OMS ainda é se vacinar quando for a sua vez, incluindo uma dose de reforço, se oferecida.

Além disso, a agência reforça que é necessário imunizar de forma igualitária 70% da população global até meados de 2022.

7) É falso que se alguém já pegou Covid-19 terá imunidade contra Ômicron
Fato: a Ômicron pode reinfecctar pessoas que já tiveram Covid-19

A OMS recomenda que mesmo quem já teve Covid-19 se vacine. Isso porque a reinfecção com a Ômicron é possível e, sem a imunização, há chances de desenvolver casos graves, transmitir o vírus para outras pessoas ou ter sintomas de Covid longa.

A OMS lembra que ser vacinado é a melhor maneira de proteger a si mesmo e aos outros ou adoecer gravemente e morrer.

8) É falso que doses de reforço não são eficazes na prevenção de doenças graves com Ômicron
Fato: As doses de reforço são eficazes para aumentar a proteção

A eficácia das vacinas Covid-19, como a de muitas outras vacinas, como a gripe, diminui com o tempo, por isso as doses de reforço são recomendadas.

Assim, a proteção contra casos graves de Covid-19 é ampliada. Os reforços são especialmente importantes para grupos de risco: pessoas com mais de 60 anos ou com problemas de saúde pré-existentes. 

Os profissionais de saúde também devem receber doses adicionais devido ao alto risco de exposição ao vírus e ao perigo de contágio para as pessoas vulneráveis de quem cuidam.

Em Londres, infecções pela Ômicron também aumentam.
Unsplash/Andrea De Santis
Em Londres, infecções pela Ômicron também aumentam.

9) É falso que as máscaras são inúteis contra Ômicron
Fato: O uso de máscaras é uma medida de proteção eficaz

Com base nas evidências disponíveis, todas as medidas preventivas que funcionam contra a variante Delta são eficazes contra a Ômicron, e isso inclui o uso de máscaras faciais. 

A variante Ômicron se espalha com tanta facilidade que, além da vacinação, todas as outras medidas preventivas são necessárias: uso de máscara, distanciamento físico, evitar espaços fechados ou lotados, garantir boa ventilação dos ambientes, proteger a boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos.

10) É falso que sendo a Ômicron menos severa, estaríamos nos aproximando do fim da pandemia
Fato: Não é possível prever o fim da pandemia

Segundo a OMS, é importante reconhecer que ainda temos um longo caminho a percorrer para acabar com a pandemia. 

Com as novas infecções pelo mundo, a OMS acredita que as chances de surgirem novas variantes são muito altas.

Para sair da fase aguda da pandemia, é fundamental cumprir a meta estabelecida de vacinar 70% da população de todos os países até meados deste ano e continuar tomando medidas para reduzir a transmissão.

 

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