Cplp promove movimento internacional sobre sistemas alimentares sustentáveis
BR

6 dezembro 2021

Implementação deve começar em abril de 2022; aliança é inspirada na Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional adotada há uma década; São Tomé e Príncipe apresenta iniciativa sobre produção biológica em todo seu território.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, lançou uma proposta para que os países possam aderir a uma aliança sobre sistemas alimentares sustentáveis.

Representantes do bloco lusófono se reuniram na sede da ONU em Nova Iorque para promover a ação, que deve ser implementada em abril de 2022. A proposta reforça a meta da Cúpula de Alimentos Sustentáveis realizada pela ONU em setembro, durante o Debate Geral com líderes de todo o mundo.

Implementação

O diretor da Cooperação do Secretariado Executivo da Cplp, Manuel Lapão, falou à ONU News sobre as experiências em lidar com segurança alimentar dos Estados-membros e que podem ser oferecidas neste espaço.

Manuel Lapão é diretor da Cooperação do Secretariado Executivo da Cplp
ONU News
Manuel Lapão é diretor da Cooperação do Secretariado Executivo da Cplp

 

“Nós temos países com uma grande escala como é o caso de Brasil, Angola e Moçambique. Depois temos países com uma escala bem menor, como é o caso de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e até Timor-Leste, por exemplo. Nesse sentido, como se olha para a segurança alimentar, também temos enquadramentos sobre todos eles de forma distinta. É evidente que as questões cada vez mais presentes das alterações climáticas implicam a necessidade de olhar para essas questões de uma forma mais atenta. Mais recentemente, com a pandemia de Covid, nós verificamos que a maneira como as pessoas passaram a aceder aos alimentos, ou as dificuldades que tiveram os acessos aos alimentos, veio complicar ainda mais a vida delas.”

Num cenário apresentado como modelo no bloco, o ministro da Agricultura de São Tome e Príncipe, Francisco Ramos, contou que o arquipélago promove uma produção biológica em todo seu território.

“Exportamos a saúde e possivelmente importamos a doença. Os produtos que nós importamos carecem de certificação. Tão pouco sabemos quando é que produzido, como foi produzido e como chegou. Sendo assim, tendo as grandes culturas como cacau, café, pimenta e óleos de palma e coco, já estão certificadas. Resta-nos a menor parte, e a mais difícil, que é a horticultura, que é para daí desenvolvermos algumas atividades para certificarmos as hortícolas. A prática é remota mas já começamos a ter um certo engajamento dos horticultores para dar resposta a produtos certificados de qualidade.”

Famílias deslocadas

Para garantir que nesse processo não sejam usados inseticidas ou adubos químicos, São Tomé e Príncipe tem interesse em fechar parcerias para alcançar o que chama futuro 100% biológico.

Francisco Ramos, ministro da Agricultura de São Tome e Príncipe
ONU News
Francisco Ramos, ministro da Agricultura de São Tome e Príncipe

 

A segurança alimentar sustentável é uma meta a alcançar para que São Tomé e Príncipe apoie cerca de 16 mil famílias deslocadas pelas alterações do clima.

Cerca de 4% de território foram perdidos por causa da subida das águas do mar.  

As reuniões realizadas m Nova Iorque envolveram o Banco Mundial e representantes da União Europeia. Países como França, Itália, Espanha, Japão, Índia e Turquia também foram contactados para participar na iniciativa.

A Cplp destacou que Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional, lançada em 2011, tem inspirado o movimento para criar a futura aliança sobre sistemas alimentares sustentáveis.

 

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