As novas tecnologias, a chamada quarta revolução industrial é outra ameaça que para Guterres terá impactos muito significativos, “especialmente no mercado de trabalho”.

Inteligência Artificial deve ser adotada com ética, afirma especialista brasileiro BR

ITU/D. Procofieff
As novas tecnologias, a chamada quarta revolução industrial é outra ameaça que para Guterres terá impactos muito significativos, “especialmente no mercado de trabalho”.

Inteligência Artificial deve ser adotada com ética, afirma especialista brasileiro

Desenvolvimento econômico

ONU News conversou com diplomata e pesquisador Eugenio Vargas Garcia para saber como a tecnologia e as recomendações da Unesco, influenciam o uso ético da inovação; documento prevê sua adoção apenas para fins pacíficos e afirma que aspecto humano deve ser mantido.

A Inteligência Artificial está cada vez mais inserida no nosso dia a dia embora muitas vezes não seja notada. Desde o GPS que indica o caminho com menos trânsito até em soluções para saúde, a tecnologia vem ganhando espaço e facilitando muitos processos.

Mas quais são os efeitos dessa tecnologia para as pessoas? 

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O diplomata e pesquisador brasileiro Eugenio Vargas Garcia falou com a ONU News, da Califórnia, sobre os cuidados que o mundo deve ter com o avanço da Inteligência Artificial, e explicou o significado do termo.

O que é?

“São técnicas que envolvem aprendizagem de máquina e profunda, utilizando redes neuronais, o deep learning. Isso tem sido utilizado para executar tarefas que nós humanos não seriamos capazes de alcançar pela velocidade e amplitude dos dados que o sistema utiliza. Por exemplo, se você deseja identificar uma sequência de imagens, de fotografia em um banco de dados com milhões dessas imagens, nós demoraríamos muitos anos enquanto a IA pode fazer em questão de segundos.”

“Inteligência Artificial deve ser adotada com ética”, afirma especialista brasileiro

Antecipando os riscos que a rápida aprendizagem dos sistemas poderia significar, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, adotou recomendações para guiar a construção da infraestrutura legal e assegurar o desenvolvimento ético da tecnologia.

Vulneráveis

De acordo com Garcia, o documento pretende “maximizar o potencial e minimizar os riscos” do uso da Inteligência Artificial. Ele reforça que grupos mais vulneráveis, como as crianças, podem estar expostos se os produtos fabricados com a inovação não contarem com boas práticas e processo éticos da concepção ao pós-venda. 

“No caso das crianças, nós temos muitos exemplos dos perigos que a gente pode enfrentar em relação ao uso inadequado da tecnologia. Um exemplo seria no caso de um robô de brinquedo, que seja produzido utilizando a tecnologia de Inteligência Artificial para interagir com a criança. Se esse sistema não estiver realmente seguro e alinhado com os princípios isso poderia colocar a criança em risco. Vamos supor que nessa interação espontânea, o robô sugira uma brincadeira que, para ficar mais interessante, ela fique mais perigosa. Pode induzir, então, a criança a se colocar em risco”.

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Recomendações

Garcia é doutor em História e também atua como especialista sobre o tema para as Nações Unidas, explicou que o texto adotado pela Unesco é baseado em dois pilares, buscando evitar abusos e usos antiéticos da Inteligência Artificial. 

O primeiro avalia os valores e princípios para a adoção da tecnologia e o segundo, as ações políticas, ou seja, como os Estados-membros vão buscar implementar as recomendações.

Ele destaca que o documento prevê o uso da inovação exclusivamente para fins pacíficos e concentrada no aspecto humano, não delegando à Inteligência Artificial decisões extremas. 

A aplicação também deve contribuir para reduzir a desigualdade socioeconômica no mundo.