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OMS reconhece legado de Henrietta Lacks à ciência e à saúde BR

O Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus entrega um prêmio a Lawrence Lacks em um evento da Organização Mundial da Saúde.
Foto: OMS WHO Chefe da OMS (à dir, em pé) recebe a família de Henrietta Lacks para uma homenagem na sede da agência.

OMS reconhece legado de Henrietta Lacks à ciência e à saúde

Saúde

Afro-americana morreu há 70 anos, vítima de câncer cervical; enquanto se tratava, pesquisadores colheram biópsias sem o consentimento dela e suas células formaram a primeira linhagem “imortal”, que permitiu a criação da vacina da pólio e de medicamentos para câncer e HIV.  

A Organização Mundial da Saúde ofereceu, nesta quarta-feira, um prêmio póstumo à afro-americana Henrietta Lacks, que morreu de câncer cervical há exatamente 70 anos. O diretor-geral da OMS reconheceu o legado histórico que ela deixou para a ciência e a saúde, sem nem fazer ideia do feito. 

Henrietta Lacks criava, ao lado do marido, cinco filhos em Baltimore, nos Estados Unidos. Ficou doente muito jovem e foi diagnosticada com câncer cervical. Enquanto ela recebia tratamento, os pesquisadores foram colhendo amostras do tumor, sem ela saber nem autorizar.  

Células HeLa mudaram o mundo 

Um cientista médico, usando equipamento de proteção individual, utiliza uma pipeta para realizar um teste RT-PCR para o novo coronavírus em um laboratório de biossegurança nível II do Instituto Nacional de Saúde.
© OMS/Ploy Phutpheng Apesar de décadas de pesquisas, nenhuma vacina contra a Strep B foi aprovada.

As células de Lacks, batizadas de “HeLa” acabaram criando a primeira linhagem imortal de células humanas que foram divididas de forma indefinida em laboratório.  

Henrietta Lacks acabou morrendo em outubro de 1951, com apenas 31 anos. As suas células foram essenciais para a criação de vacinas contra pólio e HPV, de medicamentos para câncer e HIV e sendo até utilizadas para pesquisas sobre a Covid-19.  

Segundo a OMS, mais de 50 milhões de toneladas de células HeLa foram distribuídas e vendidas pelo mundo, utilizadas em mais de 75 mil estudos. Mas a família de Henrietta Lacks nunca recebeu nenhum reconhecimento.  

Reparar um erro histórico 

Na época, a comunidade internacional escondeu a raça de Henrietta Lacks e sua história real. Segundo a OMS, a homenagem feita neste 13 de outubro busca “curar um erro histórico”.  

O chefe da agência, Tedros Ghebreyesus, declarou ser importante resolver “injustiças científicas do passado e promover a igualdade racial na saúde e na ciência”. 

Tedros destacou ser preciso reconhecer também as contribuições das mulheres para as pesquisas científicas.  

Câncer cervical na África  

Uma profissional de saúde usando luvas roxas utiliza uma luz de exame e um espelho de aumento para examinar o colo do útero de uma paciente.
Foto: Organização Pan-Americana de Saúde OMS: o câncer de colo de útero é uma das maiores ameaças para a saúde das mulheres

O prêmio da OMS foi entregue na sede da agência, em Genebra, ao filho de Henrietta, Lawrence Lacks, que está com 87 anos. Ele foi à cerimônia acompanhados dos netos e outros familiares. 

Lacks falou sobre a emoção em “receber o reconhecimento histórico” da mãe dele e disse ainda que as contribuições de Henrietta, que um dia “ficaram escondidas, estão agora sendo homenageadas pelo seu impacto global”.  

A OMS destaca ainda que mulheres afrodescendentes continuam sendo afetadas de forma desproporcional pelo câncer cervical: vários estudos mostram que elas acabam morrendo da doença, muito mais do que as pacientes brancas e a maioria dos países com o maior número de casos está na África.