Série de abusos em surto de ebola na RD Congo é “traição”, declara chefe da OMS
BR

29 setembro 2021

Diretor-geral Tedros Ghebreyesus afirma que alegações de exploração sexual por funcionários da agência é “uma traição doentia às pessoas” que são servidas pela agência; painel independente identificou mais de 80 casos, implicando 20 funcionários.  

Um painel independente à Organização Mundial da Saúde, OMS, identificou mais de 80 alegações de abuso sexual durante o surto de ebola na República Democrática do Congo. Pelo menos 20 funcionários da agência estariam envolvidos. 

O diretor-geral da OMS declarou que o lançamento do relatório representa um “dia sombrio”. Segundo Tedros Ghebreyesus, a descoberta é ainda uma “traição aos colegas que se colocam em perigo para servir aos outros”. 

Lançamento do Inquérito 

Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.
Foto: © UNICEF/Olivia Acland
Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.

A Investigação Independente sobre o 10° surto de ebola na RD Congo começou nas províncias do Kivu do Norte e Itúri em outubro do ano passado. O fim da epidemia foi declarado em 25 de junho de 2020, depois de dois anos de casos em zona de conflito.  

O surto que causou 2,3 mil mortes, é considerado o segundo maior já registrado do vírus fatal e altamente transmissível.  

Abortos Forçados  

Um dos integrantes do painel independente, Malick Coulibaly, explicou que a equipe entrevistou dezenas de mulheres que receberam propostas de trabalho em troca de sexo. Foram também colhidos os depoimentos de vítimas de estrupros, com nove casos identificados. 

As mulheres contaram que os abusadores não utilizaram nenhum método anticoncepcional, e algumas ficaram grávidas. Coulibaly disse ainda que elas foram forçadas por esses homens a realizar um aborto.  

Perpetradores 

Tedros Ghebreyesus é diretor-geral da OMS
ONU/Evan Schneider
Tedros Ghebreyesus é diretor-geral da OMS

A equipe identificou 83 possíveis envolvidos, entre congoleses e estrangeiros. Em 21 casos, foi possível ter a certeza de que os responsáveis pelos abusos eram funcionários da OMS. A maioria eram congoleses contratados temporariamente.  

Eles são acusados de tirar vantagem da função para obter favores sexuais. A diretora da OMS na África, Matshidiso Moeti, declarou que a agência ficou “horrorizada e de coração partido” com os resultados do inquérito.  

O chefe da OMS garantiu que haverá consequências sérias para os perpetradores e que seus supervisores também serão responsabilizados pela falta de ação.  

Tedros Ghebreyesus se desculpou com as vítimas e disse estar consciente do trabalho que deverá ser feito para a população voltar a confiar na agência.  

 

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