África se inspira em sucessos na pólio para combater todas as formas da doença
BR

30 agosto 2021

Novo plano da OMS foi abordado em reunião com ministros da região que registra circulação de surtos do vírus derivado de vacina; trabalhadores do setor apoiam resposta a ameaças como ebola e Covid-19.*

Os Estados africanos comprometeram-se a acabar com todas as formas da poliomielite criando um plano de avaliação para acompanhar o progresso da erradicação de todas as formas da doença.

O pacto saiu de uma reunião sobre o vírus no 71º Comitê Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para a África.

Circulação

A região africana foi declarada livre do pólio vírus selvagem há um ano, depois de quatro anos sem um único caso. Mas surtos do vírus derivado de vacina, Svdpvs, ainda circulam, sobretudo em comunidades onde crianças não foram suficientemente inoculadas.

Pólio doença pode deixar de ser considerada uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.
Unicef Angola/OMS
Pólio doença pode deixar de ser considerada uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.

 

No ano passado, os casos da doença aumentaram. A situação aconteceu em parte devido à interrupção das campanhas de vacinação contra a enfermidade por conta da Covid-19. Desde 2018, os surtos atingiram 23 países da região que reponde por mais de metade dos casos globais da doença da poliomielite.

A União Africana quer proteger os ganhos e completar a ação contra todas as formas da doença no continente, "para garantir um futuro mais seguro e saudável para as crianças".

A presença do vírus num único local “é uma ameaça a todos os países e derrotá-lo requer uma ação coletiva”, segundo o bloco regional.

Casos globais

O Comitê Regional analisou a transição da infraestrutura da pólio aos sistemas nacionais de saúde. A meta é  canalizar um possível apoio à imunização e vigilância após a erradicação.

O fórum discutiu também os mecanismos de implementação da Estratégia 2022-2026 para erradicar a doença em nível global.

Criança  espera para ser vacinada durante a campanha nacional de vacinação contra poliomielite e sarampo em Mogadíscio, na Somália, em setembro de 2020.
OMS Somalia/Ismail Taxta/Ildoog
Criança espera para ser vacinada durante a campanha nacional de vacinação contra poliomielite e sarampo em Mogadíscio, na Somália, em setembro de 2020.

 

A meta é travar a progressão da pólio, melhorando a velocidade e qualidade de resposta, e reforçando um número de profissionais para intervir na possível detecção de um surto. A estratégia adotada inclui também ampliar o lançamento do novo imunizante oral contra a pólio tipo 2, a mais prevalente.

Outras táticas são integrar ainda mais a campanha da pólio com a prestação de serviços essenciais de saúde e imunização de rotina a crianças que nunca foram vacinadas, ajudar a construir confiança com as comunidades e melhorar a aceitação do produto.

Estratégia

O Comitê Regional vai rastrear indicadores para a implementação adequada de resposta ao surto, prontidão em apresentar o tipo dois na medida que a nova vacina se torna elegível para uso mais amplo.

Outra ação será reforçar a imunização de rotina para fechar as lacunas de imunidade e integrar de forma estratégica e em fases os ativos da pólio nos sistemas nacionais de saúde.

Os ministros prometeram rever de forma regular os progressos em cada um desses indicadores para assegurar o sucesso coletivo e terminar, com urgência, o trabalho nesse campo e garantir um futuro livre da pólio a todas as crianças na região.

Vídeo de arquivo: 

 

A diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti disse que o sucesso em acabar pólio vírus selvagem na região mostra o que é possível com trabalho conjunto com urgência.

Habilidade

Moeti apontou a ameaça da Covid-19 a este triunfo, quando governos "trabalham duro para limitar a propagação interrompendo algumas campanhas contra a pólio".

No entanto, a diretora afirmou que a habilidade para combater a doença deve ser apoiada por recursos para alcançar todas as comunidades vacinadas e garantir que todas as crianças prosperem num mundo livre da poliomielite. 

Cerca de 100 milhões de crianças africanos foram imunizadas contra a pólio desde julho 2020, depois da pausa das atividades devido à pandemia da Covid-19.

Até o momento, seis países em África lançaram a vacina. Cerca de 40 milhões de crianças foram vacinadas e não houve qualquer preocupação com a segurança.

O programa de pólio apoia a resposta a ameaças emergentes a saúde na região, incluindo as do ebola e da Covid-19. Metade da equipe envolvida ajuda os países com a vigilância da pandemia, o rastreamento de contatos e o envolvimento da comunidade.

*Amatijane Candé para a ONU News. 

 

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