Evento na ONU lembra seis anos da campanha de genocídio contra minoria yazidi
BR

3 agosto 2020

Encontro virtual contou com sobrevivente e ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Nadia Murad, e da advogada dela, Amal Clooney; em 2014, milhares de pessoas foram assassinadas e mais de 6,5 mil mulheres e crianças escravizadas por terroristas.

Em 3 de agosto de 2014, o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil ou Daesh, iniciou uma campanha de genocídio da minoria étnico-religiosa yazidi. Os ataques ocorreram principalmente no norte do Iraque.

Nesta segunda-feira, as Nações Unidas realizaram um evento com a presença de sobreviventes e de especialistas da ONU. Durante a, campanha foram realizadas execuções em massa, conversões forçadas e violência sexual.  Uma das sobreviventes é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 2018, a ativista Nadia Murad.

Ela afirmou que depois de tantos anos, o sentimento do povo que sofreu a violência no Iraque é que a comunidade internacional os abandonou.

Amal Clooney, que atuou como advogada de Nadia Murad, disse que os responsáveis “têm de ser levados à justiça por estes crimes hediondos.”  Foto: ONU

Vidas

Esses ataques resultaram no massacre de milhares de yazidis.  Cerca de 6,5 mil mulheres e crianças foram escravizadas e mais de 350 mil pessoas tiveram que fugir de suas casas. 

Hoje, seis anos depois, mais de120 mil pessoas já regressaram a Sinjar, de onde são originárias, e tentam reconstruir suas vidas. A maioria ainda vive sem serviços essenciais, como cuidados de saúde, educação e acesso ao trabalho.  

No evento, a representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, disse que “é doloroso” que os sobreviventes continuem sofrendo e que nem todos tenham voltados à casa. 

Hennis-Plasschaert contou que “muitos continuam desaparecidos e muitas mulheres sofrem “intensamente de estigma e rejeição.” 

Provas

Já a advogada de direitos humanos Amal Clooney afirmou que “não fazer nada” para punir os autores da campanha “não é apenas errado, mas é também perigoso”.

Clooney, que atuou como advogada de Nadia Murad, disse que os responsáveis “têm de ser levados à justiça por estes crimes hediondos.” Ela destacou o trabalho da agência Unitad, que está recolhendo provas sobre todos esses crimes. 

Apesar dessa iniciativa, Clooney calcula que “essas provas só serão úteis se os Estados assumirem sua responsabilidade de processar os autores do Isil, em seus tribunais nacionais, ou apoiarem processos do Tribunal Penal Internacional ou de um novo tribunal internacional estabelecido para realizar estes julgamentos.” 

Giles Clarke/ Getty Images
Mulher yazidi, em campo de deslocados internos no Iraque, depois de ser raptada pelo Isil.

Comunidade

O evento foi co-organizado pelas missões da Alemanha e dos Emirados Árabes Unidos.

A ativista Nadia Murad disse que cerca de 200 mil pessoas, ou mais da metade de toda a comunidade, continua deslocada, vivendo em campos sem condições de saúde e mais vulneráveis à Covid-19. 

Além disso, não existem quaisquer esforços para encontrar ou resgatar as cerca de 2,8 mil crianças que continuam desaparecidas ou em cativeiro no Iraque e na Síria.  

Murad, que também é embaixadora da Boa Vontade pela Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico de Seres Humanos da ONU, destacou ainda a necessidade de justiça e responsabilização.

Para ela, as vítimas “merecem ver os combatentes do Isil julgados por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade e um sistema elaborado de escravidão sexual que torturou uma geração inteira de mulheres e meninas.” 
 

 

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