Destaque ONU News - 5 de dezembro - Especial Cabo Verde

5 dezembro 2018

Neste #DestaqueONUNews Especial, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, destacou os desafios do país para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as mudanças que Cabo Verde gostaria de ver concretizadas na Cplp.

ONU News, ON: O que Cabo Verde traz como mensagem para a reunião na ONU sobre países de renda média e ODSs?

Luís Filipe Tavares, LFT: Em primeiro lugar que um país como Cabo Verde de renda média, como você disse bem, que tem feito um percurso extraordinariamente bem com indicadores sociais e econômicos políticos. Cabo verde é um país de liberdade, democrático, que respeita os direitos humanos, e não pode ficar prejudicado por causa das suas performances econômicas. Nós estamos trabalhando para criar um país cada vez mais resiliente e capaz de enfrentar os desafios que tem pela frente. Vim aqui trazer essa mensagem. Cabo Verde cumpriu praticamente todos os objetivos do milênio. Agora temos esse grande desafio que é os objetivos de desenvolvimento para 2030. E a mensagem era exatamente essa, dizer que estamos engajados, firmes, queremos construir uma sociedade cada vez mais resiliente, mas que nós não podemos ficar penalizados no acesso aos fundos porque estamos a trabalhar muito bem. Quem trabalha bem deve ser estimulado a continuar a fazê-lo. É o que essencialmente eu vim dizer aqui.

ON: Que tipo de apoio o país vem recebendo?

LFT: Nós vamos começar a organizar na próxima semana em Paris, nos dias 11 e 12, uma mesa redonda com os nossos parceiros em desenvolvimento. O objetivo é mobilizar recursos adicionais para fazermos face aos desafios imensos que nós temos pela frente. Como disse antes, nós viemos trabalhando nesses 43 anos da nossa independência de forma muito pragmática, com objetivos muito claros. Graças à Deus, o desenvolvimento do país tem acontecido, e agora precisamos dar aquilo que eu chamaria o pulo do gato. Todos os países na sua fase de desenvolvimento precisam dar esse pulo do gato e nós queremos, com nossos parceiros, que sempre estiveram conosco, desde 1935 até agora, precisamos dar efetivamente esse pulo do gato que é fundamental para aumentarmos a capacidade de resiliência do país, e crescermos e desenvolvermos como um pequeno Estado insular que somos.

ON: Quais são as áreas prioritárias?

LFT: As energias renováveis, as tecnologias de comunicação e informação. Cabo Verde como uma plataforma de prestações de serviços financeiros e econômicos, são as áreas principais. E nós, em algumas delas já estamos a fazer progressos extremamente importantes. Por exemplo, nas áreas das energias renováveis, nós temos uma taxa de penetração das renováveis no sistema elétrico nacional de 25%. Ambicionamos até 2030 ter 50%. É possível. Já em 2020 vamos ter 28%, 29%, acreditamos que em 2030 estaremos em 50%, que é extremamente importante. Tudo isso é para mostrar à comunidade internacional que um país que em 1975 era considerado inviável, hoje é viável e tem um rendimento médio interessante e estar a crescer.

ON: Qual o papel da diáspora cabo-verdiana?

LFT: Nós queremos aproveitar esta potencialidade de várias formas. Em primeiro lugar, este ano vamos lançar o Diaspora Bonds, para financiar o desenvolvimento de Cabo Verde. Como você sabe, eu ouvi agora pouco, o ministro de Marrocos dizer que a transferências dos imigrantes marroquinos para o Marrocos eram importantes, são importantes. Cabo Verde se beneficia de transferências importantíssimas, representam hoje entre 15% e 18% do produto interno bruto cabo-verdiano. Vamos canalizar estes recursos financeiros para financiar o desenvolvimento do nosso país. Vamos lançar também já em janeiro uma nova lei que define o estatuto do investidor imigrante, exatamente para enquadramos a participação da nossa imensa diáspora. Praticamente o dobro da população de Cabo Verde está na sua diáspora, não é? E vamos mobilizar estes recursos financeiros para o desenvolvimento do nosso país. Os cabo-verdianos são muito solidários com o seu país. Gostam muito do seu país e vamos traduzir este amor que eles têm pelo país através de financiamentos e investimentos importantes para dobrarmos a pobreza, aumentarmos o investimento produtivo e sobretudo criarmos novos empregos para a nossa juventude.

ON: Como está a cooperação de Cabo Verde com a Cplp?

LFT: Cabo Verde é um membro ativo da Cplp e estamos neste momento a assumir a presidência .... da organização. Temos um plano de atividades que foi aprovado agora na Cimeira do Sal, dos chefes de Estado e do governo. Vamos dar posse no próximo dia 15 de dezembro ao novo secretário executivo da Cplp, e a partir daí estaremos em condições de começarmos a implementar o nosso programa de atividades. Há iniciativas muito interessantes, por exemplo, da federação das empresas da Cplp, do mundo empresarial, mas também da juventude e dos homens da cultura. E ambicionamos trabalhar para que haja mais mobilidade de pessoas e bens no quadro da nossa comunidade. É possível. E eu digo mesmo que nunca o quadro político esteve tão favorável a um conjunto de reformas importantes na nossa organização da Cplp. Estamos otimistas, Cabo Verde é um país otimista, que trabalha, com audácia, com fé, e acreditamos que podemos dar um contributo valioso para o engrandecimento e sobretudo o desenvolvimento da nossa comunidade de países de língua portuguesa.

ON: Com que perspectivas Cabo Verde vai fazer parte do Pacto Global para Migração?

LFT: Cabo Verde vai estar presente, nós participamos ativamente através do nosso representante permanente nas Nações Unidas, o embaixador José Luís Rocha, que tem feito um excelente trabalho por Cabo Verde, como sempre, como diplomata que é. Nós participamos, como disse, ativamente neste processo e estaremos nos dias 10 e 11 em Marraquexe para aderirmos esta grande iniciativa das Nações Unidas.

 

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