ONU saúda condenação de militares envolvidos em violência no Sudão do Sul

6 setembro 2018

Caso de violência ocorreu num hotel de Juba em 2016; punições aplicadas aos réus variam de sete anos de cadeia à prisão perpétua; operação de paz questiona ausência de pessoas em níveis de comando.

Um tribunal militar do Sudão do Sul declarou culpados 10 soldados por crimes contra civis cometidos em incidente ocorrido há dois anos no Hotel Terrain, na capital Juba.

Segundo agências de notícias, as punições aplicadas variam de sete anos de cadeia à prisão perpétua por crimes como assassinatos, estupros e outros.

Trabalhadores internacionais

De acordo com os relatos das agências, o governo sul-sudanês deve pagar cerca de US$ 4 mil a uma vítima violada sexualmente. Trabalhadores estrangeiros também sofreram no incidente.

Para a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, foi feita a justiça que os sobreviventes e suas famílias mereciam.

Sobre o julgamento iniciado em maio de 2017, a nota destaca que as provas apresentadas “deixam dúvidas sobre a responsabilização de pessoas que estão em altos níveis da cadeia de comando”.

A guerra civil no Sudão do Sul começou em dezembro de 2013, dois anos após a independência., by Unmiss

Sofrimento

A operação de paz destaca que foi importante a responsabilização pública, “apesar de os veredictos não tirarem a dor e o sofrimento causado pela violência”.

Para a Unmiss, o desfecho do processo envia uma “mensagem poderosa” a outros possíveis infratores, incluindo membros das Forças Armadas que estão sendo julgados ou punidos por causa da violência.

A Unmiss elogia a “coragem e paciência” dos sobreviventes. A nota aponta que os desafios no processo foram condições de detenção, impedimentos no acesso a um advogado e o facto de o julgamento ter ocorrido em tribunal militar e não civil.

Testemunhas

A operação de paz também elogia a justiça do país pelos novos procedimentos no processo. Entre eles, estão os depoimentos testemunhas e sobreviventes feitos por video link e sessões fechadas para proteger sua identidade.

A Unmis chamou a atenção para “o problema mais amplo da violência sexual e baseada no género” contra mulheres e crianças sul-sudanesas. A maioria dos casos não é relatada e de forma geral continua impune.

 

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