No Dia Internacional da Amizade, especialista fala sobre era digital e sentimentos  

30 julho 2018

Assembleia Geral da ONU aprovou data em 2011; psicóloga Rosa Maria Almeida explica como novas tecnologias mudam definições de amizade e como podem ajudar, ou não, a combater sentimentos como solidão.  

Este 30 de julho é o Dia Internacional da Amizade. As Nações Unidas dizem que “a amizade pode contribuir para mudanças fundamentais que são necessárias urgentemente”.  

Fugee School, que acolhe crianças refugiadas. , by Grace Tan / Payong

A data foi instituída em 2011 por uma resolução da Assembleia Geral ressaltando a importância da amizade entre pessoas e povos, e ainda a questão da confiança na manutenção da amizade.

Compromisso

Mas como é ser amigo numa era digital? Foi a pergunta que a ONU News fez à psicóloga Rosa Maria Almeida.

De Porto Alegre, ela explicou como as redes sociais estão a mudar a forma como as pessoas se relacionam e dialogam de forma virtual.

“O amigo do Facebook é alguém que se disser, postar, de alguma maneira manifestar, uma ideia diferente da minha, eu posso simplesmente bloquear e jamais volto a ter qualquer compromisso ou comunicação com esse chamado amigo”.

A especialista diz que, por isso, “é uma relação na qual não entram diferentes fatores que comprometem a nossa vida e a nossa felicidade normalmente”. Ela acredita que isso pode ter alguns perigos para o bem-estar da pessoa.

“Olhando no Facebook, vendo que todo o mundo está feliz, todo o mundo está saudável, todo o mundo está em plena alegria, as pessoas ficam como que se cobrando de estarem sempre bem. É uma forma, digamos assim, de exposição, que além de não ser real, além de não ser possível, não me leva a lugar algum, não faz com que eu cresça, com que eu evolua, que eu desenvolva como ser humano”.

Redes sociais estão a mudar a forma como as pessoas se relacionam, diz especialista. , by ITU/A.Mhadhbi

Solidão

A psicóloga, que analisa o comportamento humano também em outras redes sociais, acredita que os amigos da era digital têm algumas vantagens e podem ajudar a combater a solidão, mas avisa que eles não substituem outro tipo de relações face a face.  

“Isto não chega a resolver profundamente a questão da solidão. Eu tenho, inclusive, tido a oportunidade de ouvir as pessoas dizerem assim: ‘ok, eu tenho muitos amigos, mas na verdade continuo me sentindo só’. Porque a solidão, o sentimento de solidão, passa por outros canais. Aquela solidão mais existencial, um sentimento onde me coloco não fazendo parte, efetivamente, da vida de uma ou de outras pessoas, essa solidão não encontra remédio nessa forma digital e superficial de relacionamento”.

Jovens

A psicóloga brasileira acredita que apenas o futuro sabe como é que estas mudanças afetam a forma como as novas gerações se relacionam, mas a especialista diz que já existem algumas pistas.

“O que é que eu vejo? Eu vejo que, embora as novas gerações vivam dentro desse mundo digital, ainda assim sempre existe uma ou outra amizade que são físicas, que são reais, e que são particularmente importantes. Algumas situações têm revelado que os jovens que buscam apenas relações digitais, eles têm sim comprometimentos emocionais que podem ir se agravando”.

Objetivos

Na resolução que criou o dia, os Estados-membros reconhecem que a amizade entre indivíduos, países e culturas pode inspirar os esforços de paz e construir pontes entre as comunidades. O Dia destaca ainda a importância da confiança para as amizades e como a falta dela pode destruir relações.

Segundo a ONU, esta data lembra que “para combater crises e desafios, as suas causas têm de ser resolvidas promovendo um espírito de solidariedade humana”.

 

 

 

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