Em Dia Internacional de Arquivos, moçambicanos realçam digitalização

8 junho 2018

A data é comemorada sobre um olhar da importância de Arquivos na Preservação da Memória Institucional e Acesso à Informação; os entrevistados são otimistas em relação ao uso de arquivo para preservação da história de um povo.

Moçambique comemora o Dia Internacional de Arquivos desde 2012. Este ano, a efeméride é assinalada sob lema “O Papel  dos  Arquivos  na  Preservação da Memória Institucional e Acesso à Informação.”

A ONU News em Maputo conversou com Arlanza Dias, diretora-geral do Centro Nacional de Documentação e Informação de Moçambique, Cedimo. Ela afirma que a data serve para a sociedade refletir sobre a importância de arquivos.

Reflexão

É a partir dos arquivos onde nós podemos trazer antecedentes para fundamentar as decisões que tomamos; é a partir dos arquivos onde as pessoas vão pesquisar. Isto significa que o arquivo é extremamente importante, então este Dia Internacional dos Arquivos é mesmo para despertar a consciência da necessidade de preservar a memória institucional, esta preservação visa o acesso à informação que é guardada.”

A importância dos arquivos não é apenas pertinente nas instituições. Inadelson Cossa realizador de cinema diz que os arquivos são a  sua principal fonte de inspiração.

Eu começo sempre um filme a partir de um arquivo, seja uma fotografia, um jornal antigo...qualquer material que esteja descartado e marginalizado e que é possível reciclar. O arquivo é esse tesouro, eu acho que é importante que os arquivos prevalecem e continuem vivos e conservados, o que é mais dificil. Filmotecas, bibliotecas muitas vezes não têm orçamento para manter o arquivo a funcionar ou disponível.”

Digitalização

Atualmente o mundo vive novos modelos de arquivos influênciados pela evolução das tecnologias. Para diretora do Cedimo, Arlanza Dias, há necessidade de olhar  para o contributo da digitalização tendo em conta a questão confiabilidade e fiabilidade dos documentos.

“É importante olharmos para digitalização não como uma solução para a desorganização dos arquivos. Passar para digitalização significa primeiro organizar o fisíco para depois ter o digital como deve ser. Estamos no mundo digital temos que avançar, mas temos avançar com responsabilidade sobre pena de digitalizarmos aquilo que não precisamos. É preciso fazer avaliação, qual é o documento de guarda permanente, esse digitalizamos  para depois termos acesso, mas também é necessário eliminarmos aquilo que não precisamos.”

Já Inadelsos Cossa partilha a mesma preocupação tendo em conta a era digital.

“Hoje estamos na era digital onde alguns discos Externos (HD) podem fazer este trabalho mas não nos garantem que estes arquivos estejam vitalícios, é tudo um desafio, o velho ou novo modelo, qual o modelo a escoher para manter o arquivo vivo? Para que meu filho daqui a 50 anos possa acessar, outras gerações, porque isso é importante, deixarmos a nossa história para que amanhã alguém faça uso dela, o arquivo é para situar, enquadrar no tempo e espaço um certo acontecimento.”

Celebrações

Este ano, as celebrações são organizadas pelo Centro Nacional de Documentação e Informação de Moçambique, Cedimo, em parceria com a Irex-Moçambique, Programa Para o Fortalecimento da Mídia, a JOINT- rede de ONGʻs, Centro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, CEC e a Rede de Comunicadores Amigos da Criança, Recac.

O Dia Internacional de Arquivos foi instituído pela Assembleia Geral do Conselho Internacional de Arquivos, realizada no Québec, em Novembro de 2007. O 9 de junho, foi escolhido por ter sido precisamente a 9 de junho de 1948 que a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciencia e Cultura, Unesco, criou o Conselho Internacional de Arquivos.

Apresentação: Ouri Pota.

 

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