Mobilidade econômica entre gerações estagnou nos últimos 30 anos, diz Banco Mundial

10 maio 2018

Novo relatório examina Brasil e mais cinco economias em desenvolvimento, sob os prismas da renda e da educação.

Estudo lançado pelo Banco Mundial nesta quarta-feira, em Washington, revela que a mobilidade econômica entre gerações estagnou nos últimos 30 anos. Ele se baseia em um novo banco de dados sobre 148 países, onde vivem 96% da população mundial.

O documento analisa as pessoas nascidas entre 1940 e 1980 e constata que 46 dos 50 países com as menores taxas de mobilidade de baixo para cima estão no mundo em desenvolvimento. Nesses países, milhões de pessoas estão presas em um ciclo de pobreza determinado por suas circunstâncias ao nascer e não conseguem avançar porque as oportunidades são desiguais.

Educação

Seis grandes países em desenvolvimento são examinados: Brasil, China, Egito, Índia, Indonésia e Nigéria. Neles, a mobilidade econômica aumentou das décadas de 1940 a 1980, embora em graus variados.

Além da renda, a principal métrica usada para observar a mobilidade entre gerações é a da educação. Os pesquisadores analisaram, entre outros temas, em quais países os filhos têm mais estudo do que os pais. Um deles é o Brasil, como conta Francisco Ferreira, conselheiro sênior para pobreza e desigualdade no Banco Mundial: "na coorte nascida em 1940, 50% das pessoas alcançavam um nível educacional maior que o dos pais. Na coorte de 1980, em comparação, 80% chegam a essa marca de ultrapassar o nível de escolaridade dos pais."

ITU/A.Mhadhbi
Em um futuro não muito distante, a parcela de mulheres com mais educação do que seus pais será maior que a dos homens.

Gênero

Outra questão importante da análise é a de gênero. Globalmente, em um futuro não muito distante, a parcela de mulheres com mais educação do que seus pais será maior que a dos homens. No Brasil, já há mais mulheres que homens concluindo o ensino superior, algo bem diferente do registrado na década de 1940. Francisco Ferreira explique que "de lá para cá, as mulheres têm dominado e hoje têm vários pontos percentuais acima dos homens. O que é ótimo para as mulheres, mas uma fonte de preocupação para os meninos, porque essa trajetória começa na infância. Então, no Brasil, nós temos um problema de gênero ao revés, em que nós temos de nos preocupar, em termos de políticas públicas, com o que está afastando os nossos meninos da escola."

Ao discutir a experiência de alguns países, o relatório mostra que, com vontade política e com as iniciativas certas, é possível oferecer melhores oportunidades às novas gerações. O estudo recomenda investir na primeira infância e melhorar as condições para a criação de empregos, por exemplo.

Apresentação: Mariana Ceratti

 

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