Em palco da ONU, artistas unem-se para apoiar esforços contra o ébola

3 março 2015

São Tomé e Príncipe esteve à frente do evento que juntou vozes internacionais; ao celebrar evolução, Nações Unidas pedem mais ação para impulsionar a última parte do percurso para vencer a doença.

Eleutério Guevane e Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A sala da Assembleia Geral da ONU juntou centenas de pessoas na noite desta segunda-feira em cerca de três horas de concerto. Por trás da organização do evento "Parar o Ébola e Construir para o Futuro” esteve São Tomé e Príncipe.

O vice-embaixador são-tomense junto às Nações Unidas, Ângelo Torrielo, disse que a meta é angariar mais apoios para os países afetados e explicou como o mundo pode aderir à iniciativa.

"Todos podem ajudar não sendo indiferentes e nem esperar que o vírus os afete pessoalmente."

Até ao momento de desfilar no maior palco da ONU, artistas preparavam-se para atuar em salas próximas aos holofotes,  como esta voz do grupo International Artists United com quem falamos nos bastidores.

Artistas Com Uma Voz

Chama-nos atenção o colorido de trajes que descobrimos ser de donos de vozes de nove países. Após o início do surto de ébola, eles se juntaram e criaram o conjunto "Artistas com Uma Voz", disse o camaronês Peter Ngu Tayoung.

O fundador do grupo conta que a meta é comunicar com as pessoas afetadas usando as suas línguas e culturas. Ele acrescentou que a sua mensagem chega às vítimas e às pessoas em sua volta educando e entretendo.

A noite foi além de ritmos. O combate ao ébola juntava figuras da ciência, da política e pessoas de outras áreas de entretenimento como a apresentadora de televisão americana Cheryl Wills. Ela convidou o secretário-geral das Nações Unidas a abrir o evento.

Desafio

Ban Ki-moon começou por dizer que o ébola está no ponto de viragem mas ainda é um desafio que deve envolver a todos.

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Ban Ki-moon. Foto: ONU/Mark Garten

O chefe da ONU lembrou que o ébola começou com um caso e não terá acabado até que todos os países sejam totalmente livres. Mas afirmou que após o surto haverá muito trabalho a fazer para ajudar os afetados a recuperar e a reerguer-se mais fortes e resistentes. O apelo de Ban Ki-moon é por ajuda à organização apoiando o seu  trabalho. Como revelou, o contributo também pode ser dado diretamente para as agências, fundos e programas da ONU ou ainda para a iniciativa  de garantia criado para financiar as lacunas críticas na resposta.Para Ban, graças aos esforços coletivos o ébola está a chegar ao fim da estrada. Mas lembrou que a última parte do percurso pode ser a mais difícil. Daí, o pedido por ação firme e pela união de propósitos para o fim do surto e para a recuperação.

Grammy

O som do Mali, um país que se reergueu rápido do ébola. Da África Ocidental, Chiek Hamala toca o  cora, instrumento que fez dele um dos nomeados para o Grammy.

O levantar da crise foi confirmado momentos antes do show pela atualização da Organização Mundial da Saúde, OMS. A queda no número de doentes está em volta de 99 novos casos por semana na Libéria, Guiné Conacri e na Serra Leoa. No auge do surto, os pacientes rondavam 900 no mesmo período.

Essa evolução foi brindada por diplomatas representando a Serra Leoa, a Itália e os Estados Unidos, um dos países que fora de África registou mortes pelo ébola.

Doação

A embaixadora americana Samantha Power disse que a maré está a virar, acima de tudo porque o medo foi deixado para trás. Ela afirmou que uma das razões foi seguir a fundo na distribuição de recursos para deter a doença.

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Foto: ONU/Mark Garten

Na noite falou também o antigo chefe da Missão de Emergência da ONU de Resposta ao Ébola, Anthony Banbury, que pediu sistemas de saúde para prevenir mais surtos do ébola. Ele disse que não se precisa esperar para responder ao tipo de problema.O momento também ficou marcado pela doação da música de Etana, da Jamaica. Better Tomorrow, ou Amanhã Melhor, foi oferecida pela artista para o combate ao ébola. Ela cantou com o Independent Artists United.

Apelos de apoios, doações e encontros nos palcos e nos bastidores tomaram conta do momento que na ONU reuniu o mundo em mais um esforço para zerar a epidemia. O país organizador, São Tomé e Príncipe, disse que ajudar é pensar além da limitação de recursos que também afeta aquela nação lusófona.

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