Crise de alimentos pode atingir 2,2 mil milhões

Crise de alimentos pode atingir 2,2 mil milhões

Segundo relator especial para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, os mais afectados estariam nos países em desenvolvimento.

João Duarte, Rádio ONU em Nova York.

O relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, afirmou que a actual crise dos alimentos pode atingir 2,2 mil milhões de pessoas.

O número é quase três vezes maior, do que os 854 milhões de pessoas que não têm o que comer no mundo, neste momento.

Resposta

Ziegler falou a jornalistas na sede da ONU, em Genebra, esta segunda-feira.

Já em Berna, capital da Suíça, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, dirigiu uma reunião com 27 chefes de agências e programas da ONU para analisar uma resposta coordenada à crise dos alimentos.

Argentina e Brasil

Ao ser interrogado sobre os efeitos da crise no Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse à Rádio ONU, nesta entrevista exclusiva, que os consumidores já começaram a sentir a subida de preços.

“Em termos de preço já chegou, nós estamos com problemas de arroz neste momento, de trigo que a Argentina proibiu a exportação de trigo. Em termos de preços sim, em termos de quantidade de alimento disponíveis não. Mas a questão dos alimentos no Brasil não é a quantidade de alimento disponível é o preço. A população melhorou ultimamente porque melhorou a renda. Mas se o preço sobe muito, ele corrói este aumento na renda”, disse.

Tsunami

Segundo o relator das Nações Unidas, Jean Ziegler, o preço de alimentos como por exemplo, trigo, soja e milho quase duplicou desde o início do ano.

Na semana passada, a chefe do Programa Mundial de Alimentos, Josette Sheeran, disse a parlamentares britânicos que a alta de preços pode levar milhões à fome extrema e tem o efeito de um tsunami silencioso.