ONU apela ao Exército sul-sudanês a respeitar direitos infantis

15 dezembro 2017

Missão das Nações Unidas para o Sudão do Sul forma altas patentes do exército em matéria de direitos humanos; Forças Armadas garantem retirar menores de idade das fileiras e asseguram empenho no respeito às crianças e na Constituição do país.

Manuel Matola, da ONU News em Nova Iorque.

As Nações Unidas apelaram esta quinta-feira aos oficiais superiores das Forças Armadas do Sudão do Sul a respeitarem os direitos das crianças, para que o país seja retirado da lista das nações que recrutam e usam crianças-soldado.

Segundo a responsável de Proteção à Criança na Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, Nora Pendaeli, o Exército Popular de Libertação do Sudão consta de um relatório da ONU por alegadas infrações graves contra crianças.

Formação

Pendaeli falava numa ação de formação de dois dias a 54 oficiais que ocupam altos cargos Exército sul-sudanês, etre os quais brigadeiros, majores-generais, tenentes e capitães.

A responsável lembrou que o documento da ONU cita o Exército por ações como “mutilar, estuprar, recrutar e usar crianças nas forças armadas, bem como de atacar escolas, hospitais e locais de culto”.

Pendaeli disse que as crianças sul-sudanesas são especialmente vulneráveis durante os conflitos armados porque são “fáceis de manipular, por ser muito obedientes aos seus protetores e terem muitas necessidades como comida e abrigo”.

Responsabilidade

Segundo a funcionária da agência, muitas crianças “estão sob controlo dos que detém armas porque o conflito no país afastou-as dos familiares e das comunidades”. Por isso, todos os envolvidos no conflito devem entender qual é o papel e responsabilidade que têm na proteção das crianças.

Na ocasião,  o assessor de segurança do governador da região de Yei, Muki Batali Buli, disse que “a cultura de matar e mutilar crianças, incluindo estupro, não é típica das disputas inter-clãs do Sul do Sudão”.

Por seu turno, o chefe da unidade de proteção infantil no exército, o brigadeiro Khamis Edward, disse que o exército sul-sudanês estava prestes a ser declarado livre de crianças se não fosse o início da guerra civil em dezembro de 2013.

Edward afirmou que as Forças Armadas pretendem “limpar a sua imagem diante da comunidade internacional” e garantiu que todas as crianças serão removidas das fileiras e ajudadas a começar uma nova vida.

Constituição

O brigadeiro disse que o dever do exército é defender a Constituição do país, bem como seus cidadãos e suas propriedades, mas isso “ exige que o verdadeiro patriotismo seja alcançado”.

Já o responsável dos Direitos Humanos da Missão da Unmiss, Anthony Nwapa, assinalou que o interesse das Forças Armadas é proteger o futuro do país e que o futuro do Sudão do Sul pertence às crianças.

 

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