Relatório da ONU encoraja países africanos a apoiarem setor de turismo

5 julho 2017

Unctad lançou nesta quarta-feira Relatório 2017 sobre Desenvolvimento Económico em África com foco no turismo para crescimento transformador e inclusivo; para chefe da agência, setor é dinâmico e tem “potencial fenomenal” no continente.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lançou nesta quarta-feira seu Relatório sobre Desenvolvimento Económico em África 2017.

O documento se concentra no turismo para crescimento transformador e inclusivo.

“Potencial fenomenal”

Para o chefe do Unctad, Mukhisa Kituyi, o “turismo é um setor dinâmico com potencial fenomenal em África”. Segundo Kituyi, se o setor for gerenciado de forma adequada “pode contribuir imensamente para a diversificação e inclusão de comunidades vulneráveis”.

Chantal Line Carpentier, chefe do escritório da agência em Nova Iorque, afirmou que o turismo contribui atualmente com cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto, PIB, do continente, um crescimento em relação aos 6,8% em 1998.

Turistas africanos

Falando a jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, Carpentier ressaltou que o turismo em África tem sido cada vez mais impulsionado pelos próprios africanos, devido a uma crescente classe média.

Segundo a representante, quatro em cada 10 turistas internacionais na África são do próprio continente. Ela afirmou ainda que até 2026, a “contribuição direta do turismo ao PIB do continente deve passar de US$ 121 mil milhões”.

Medidas

Ao destacar algumas conclusões do relatório, Chantal Carpentier afirmou que para concretizar o crescimento económico do continente, governos devem tomar medidas para liberalizar o transporte aéreo, promover o livre movimento de pessoas, assegurar possibilidade de conversão de moedas e, principalmente, reconhecer o valor turismo em África e planear para ele.

A representante do Unctad citou a importância de facilitar viagens entre países e de manter dinheiro no continente, por exemplo, a comprar comida de produtores locais, muitos a viver na pobreza, em vez de importar produtos.

Mulheres e jovens

Para Carpentier, o crescente setor de turismo oferece oportunidades para jovens que, globalmente, representam metade da força de trabalho do setor.

As mulheres também têm grande representatividade na área, presentes em cerca de um terço dos empregos.

Turismo e paz

Outro importante tema destacado no relatório é a relação entre paz, ou sua perceção, e o turismo.

O documento menciona que os impactos da estabilidade política podem ser significativos e duradouros. Por exemplo, na sequência de instabilidade na Tunísia, as receitas totais com turismo no país entre 2009 e 2011 caíram 27% em média, de US$ 3,5 mil milhões para US$ 2,5 mil milhões.

A Unctad defender ser fundamental para o crescimento do turismo em África que governos e instituições regionais respondam rapidamente a crises e abordar preocupações de segurança.

Perceção e imagem

Segundo a agência, promover estratégias voltadas a melhorar a imagem de África nos media globais também é essencial para a recuperação do setor depois de conflitos ou agitação política.

A simples aparência de instabilidade em uma região pode desencorajar os turistas, levando a consequências económicas arrasadoras e duradouras. No entanto, a Unctad ressaltou que a perceção de perigo nem sempre corresponde à realidade.

Um exemplo é o surto de ébola em 2014 na África Ocidental. Apesar de ter sido isolado em relativamente poucos países da região, a crise resultou em perdas em todo o continente.

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