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Remessas globais são o dinheiro “invisível” que move o campo BR

Uma mão de mulher segura uma nota de 1.000 rupias durante uma transação em um mercado na Indonésia.
ADB/DERAriel Javellana Dinheiro funciona como uma verdadeira boia de salvação

Remessas globais são o dinheiro “invisível” que move o campo

Desenvolvimento econômico

Envios de migrantes para casa alimentam milhões e transformam agricultura global; além de ajuda familiar, esse dinheiro se tornou um motor econômico essencial; um terço do total vai direto para o campo e financia a segurança alimentar e a adaptação climática onde os bancos formais não chegam.

O avanço contínuo dos fluxos globais de remessas na última década consolida uma das mais potentes redes de proteção financeira atuais, revela um relatório do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. 

Os envios, estimulados pelo alto custo de vida e pelo compromisso daqueles que deixam a terra natal para apoiar seus entes queridos, superam barreiras geopolíticas e fronteiras entre continentes, mantendo um rumo constante de crescimento.

Boia de salvação

O Fida destaca que, para milhões de lares na África, América Latina, Ásia e Europa, esse dinheiro funciona como uma verdadeira boia de salvação. 

Um par de mãos segurando um leque de moedas internacionais, incluindo uma nota de 100 dólares americanos, uma nota de 50 euros, uma nota de 100 euros, uma nota de 200 euros e uma nota de 500 euros, sobre uma superfície de madeira clara.
© Unsplash/Omid Armin Famílias beneficiárias investem cerca de 22 milhões de dólares por ano nos sistemas agroalimentares rurais

Em primeiro lugar, Pedro de Vasconcelos, gerente do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fida, disse que recursos suprem as necessidades humanas urgentes, apoiando o consumo diário de alimentos, assegurando o acesso aos cuidados de saúde, viabilizando a frequência escolar e garantindo a moradia.

Trabalhadores no exterior

Na dimensão profunda desse impacto, cerca de um em cada US$ 3 enviados pelos trabalhadores no exterior se destina às zonas rurais comunidades que historicamente estão entre as menos atendidas por instituições financeiras formais.

“São cerca de US$ 233 mil milhões (bilhões), que chegam à comunidade frequentemente, entre as menos servidas pelo sistema financeiro formal. Isso é uma realidade para a África também, como para os países lusófonos, e é por isso que o Fida, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, tem-se focalizado muito neste tema. Cabe mencionar também que as famílias beneficiárias investem cerca de 22 milhões de dólares por ano nos sistemas agroalimentares rurais, e acho que isto é simultaneamente um desafio de desenvolvimento, mas também é uma oportunidade de mercado muito significativa. É verdade, o que vimos nos 10 últimos anos é um crescimento dos fluxos de remessas.”

Nesse contexto, o foco da atuação do Fida está na catalisação desses recursos por meio do que define como aporte de transformação, revela Pedro de Vasconcelos.

O Fida não restringe a autonomia das famílias na gestão de seu dinheiro, mas sim apoia a expansão da oferta de instrumentos financeiros adequados, conectando a renda recebida a mecanismos formais de poupança, crédito adaptado e seguros.

Impactos crescentes das mudanças climáticas

Essa integração estruturada maximiza a resiliência das comunidades rurais diante dos choques econômicos e dos impactos crescentes das mudanças climáticas. Ao contar com opções financeiras eficientes, as famílias rurais ganham a capacidade de proteger seus ativos produtivos. 

Além disso, elas podem investir na sustentabilidade do próprio trabalho e financiar a adaptação às novas condições ambientais e de mercado.