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Declaração de Durban faz 25 anos ressaltando luta contra racismo BR

Uma mulher negra sorridente, vestindo uma camiseta laranja e um turbante, fala em um megafone branco durante um protesto pacífico no centro de Kansas City, cercada por apoiadores que seguram cartazes.
© Adobe Stock/Rawpixel Um protesto antirracista ocorre no centro de Kansas City, EUA (arquivo)

Declaração de Durban faz 25 anos ressaltando luta contra racismo

Direitos humanos

Documento constitui quadro mundial mais abrangente para combater a prática; neste aniversário, ONU reafirma necessidade de desenvolver novos planos de ação eficazes contra a discriminação racial.

Neste 28 de Setembro, a Assembleia Geral da ONU assinala o 25.º aniversário da adoção da Declaração e do Programa de Ação de Durban, Dpad, numa reunião de alto nível na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Um quarto de século depois, os princípios da Declaração continuam a orientar os esforços transformadores no progresso da justiça e da igualdade racial, como afirmou o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk.

Um quadro sobre justiça e igualdade raciais

Adotada na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Conexa, de 2001, a declaração constitui o quadro mundial mais abrangente para o combate ao racismo.

Através do documento, os Estados assumiram o compromisso de reconhecer as injustiças históricas, desmantelar as desigualdades estruturais, proteger as vítimas de discriminação racial e construir sociedades assentes na dignidade, na igualdade e na justiça para todos.

A declaração complementa a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. No seu conjunto, ambos os instrumentos visam prevenir e eliminar a discriminação racial em todas as áreas da vida pública e responsabilizam os governos por esse objetivo.

A artista brasileira Iza toca o memorial da Arca do Retorno na sede da ONU .
ONU/ Mark Garten A cantora brasileira IZA visita a Arca do Retorno na sede da ONU. O memorial convida pessoas de todo o mundo a refletir sobre o legado do tráfico de escravos e a lutar contra o racismo e o preconceito nos dias de hoje

Progressos insuficientes e desiguais

Apesar dos progressos alcançados ao nível da sensibilização, das proteções jurídicas e das respostas institucionais, estes avanços continuam a ser insuficientes e desiguais, ficando aquém da dimensão do desafio.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, uma em cada cinco pessoas afirmou ter sofrido discriminação no ano anterior. A raça, a cor, a etnia e a condição socioeconómica foram os motivos mais frequentemente indicados pelos inquiridos.

O Escritório sublinha o racismo persistente no discurso político, nos meios de comunicação social, no desporto, no local de trabalho, nas instituições públicas e no ambiente digital atual.

Diante deste cenário, Volker Turk assinalou os progressos alcançados no caminho para uma sociedade mais justa, mas advertiu que esses avanços estão a ser postos em causa, adiados e até revertidos.

Uma resposta eficaz às novas formas de racismo

Numa altura em que se assiste a novas formas de racismo, nomeadamente nos espaços digitais, o gabinete de Direitos Humanos sublinha que o aniversário da Dpad deve constituir um impulso para desenvolver novos planos de ação contra as velhas e as novas formas de discriminação racial.

Para isso acontecer, o racismo deve ser combatido nos contextos onde permanece enraizado, nomeadamente no acesso desigual aos direitos, nas práticas discriminatórias de aplicação da lei, na exclusão dos processos de tomada de decisão e nas narrativas e estereótipos prejudiciais.

O Alto Comissariado lembra que o racismo não é inevitável e salienta que a Declaração de Durban continua a representar um apelo partilhado para o combate à discriminação e à salvaguarda da dignidade de toda a humanidade.