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Uma mãe segura seu filho pequeno na frente de um edifício fortemente danificado com bombeiros pulverizando água. O gelo cobre a estrutura e o solo, destacando as duras condições de inverno em Kiev, Ucrânia, após um ataque a uma infraestrutura crítica. O UNICEF apoia os esforços de resposta de emergência para fornecer calor e cuidados essenciais para as famílias.

Com o inverno à porta, OMS quer ação imediata na Ucrânia para proteger vidas BR

Unicef/Ian Dobronosov Uma mãe e sua filha passam por um prédio industrial fortemente danificado em Kyiv após um ataque noturno, enquanto bombeiros continuam a jogar água sobre os escombros (arquivo)

Com o inverno à porta, OMS quer ação imediata na Ucrânia para proteger vidas

Ajuda humanitária

Ao encerrar seu mandato, representante da agência no país alerta que mais de 25% dos médicos ucranianos sofrem de depressão grave; setor de saúde já sofreu mais de 3 mil ataques; Jarno Habicht pede auxílio emergencial e reconstrução agora.

No fim de seu mandato como representante da Organização Mundial da Saúde, OMS, na Ucrânia, Jarno Habicht diz ter observado a resiliência de uma nação que vem sendo duramente afetada desde a escalada da invasão russa, em 2022.

Mais do que um balanço institucional, o especialista traça um diagnóstico com um apelo urgente: com a proximidade de mais um inverno rigoroso, conter a perda de vidas humanas tornou-se uma corrida contra o tempo e o frio.

Brutalidade

Segundo ele, o impacto do conflito manifesta-se com brutalidade imediata naqueles que dedicam o dia a dia a salvar outros.

Dados da OMS mostram que mais de 25% dos médicos e enfermeiros ucranianos apresentam sintomas de depressão grave, enquanto 20% enfrentam transtornos de ansiedade. Sob o estresse contínuo dos bombardeios, esses profissionais carregam nas costas o peso de um sistema mantido no limite absoluto.

Trabalhadores humanitários e curiosos observam um prédio de apartamentos gravemente danificado e um carro vermelho capotado em uma área residencial de Kiev, na Ucrânia, mostrando as consequências de um ataque.
© OCHA Rotina de perigo avança sobre a população civil

A rotina de perigo avança sobre a população civil. O recente ataque a um centro comercial em Kryvyi Rih, local distante da linha de frente, expôs a vulnerabilidade das famílias no dia a dia.

Crianças entre as vítimas

Com pais e filhos se organizando para o início do ano letivo, explosões deixaram 140 feridos, incluindo 23 crianças, e ceifaram 16 vidas. Para o especialista, esse tipo de tragédia deixa claro que as vítimas não estão apenas nos campos de batalha e que a rápida resposta médica tem um papel crucial na linha entre a vida e a morte.

Com o inverno se aproximando, proteger a população contra o frio extremo virou prioridade máxima de sobrevivência. A OMS já instalou 30 unidades de aquecimento em instalações de saúde estratégicas e planeja erguer mais 22.

Em áreas isoladas do Oblast de Donetsk, a ajuda humanitária alcançou 51 comunidades com remédios essenciais.

Uma estação de metrô lotada em Kiev, na Ucrânia, repleta de famílias que se abrigavam dos ataques aéreos noturnos. Pessoas, incluindo crianças, são vistas dormindo e descansando no chão e nas escadas rolantes.
© UNICEF/Oleksii Filippov Famílias se abrigam em uma estação de metrô de Kiev durante um ataque aéreo noturno na capital ucraniana.

Nos últimos oito meses, equipes de atenção primária realizaram 13 mil consultas em sete regiões e distribuíram medicamentos vitais para mais de 28 mil pessoas em áreas onde o comércio local colapsou.

3 mil ataques contra a infraestrutura de saúde

O custo de manter esse fluxo de ajuda permanece alarmante: a OMS contabilizou mais de 3 mil ataques contra a infraestrutura de saúde.

Somente este ano, bombardeios a depósitos em Kyiv e Dnipro destruíram suprimentos destinados a 225 mil pessoas.

Na despedida, Habicht deixa uma mensagem direta à comunidade internacional: a resposta de emergência, a reconstrução e a proteção contra o inverno não podem esperar o fim dos confrontos. Essas ações precisam acontecer agora, simultaneamente, para que nenhuma vida seja perdida para a guerra ou para o frio.