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Encontro global na Mongólia busca solução para secas cada vez mais frequentes BR

Uma vasta paisagem árida com cavalos pastando em primeiro plano e montanhas rochosas ao fundo, sob um céu azul límpido.
FAO/K. Purevraqchaa Durante séculos, os mongóis e seu gado viveram lado a lado na vasta estepe. Mas, nas últimas duas décadas, as mudanças climáticas colocaram milhões de cabeças de gado em risco.

Encontro global na Mongólia busca solução para secas cada vez mais frequentes

Clima e Meio Ambiente

A 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, COP17, busca caminhos para reverter perda de terras e meios de subsistência; país anfitrião perdeu 7 milhões de cabeças de gado devido a seca severa em 2023-2024. 

Desde 2000, a frequência e a duração das secas aumentaram 29%. Dados das Nações Unidas indicam que, até 2053, um quarto da humanidade poderá ser afetado pelo fenômeno climático.

A Mongólia é um dos países que sofrem com impactos das secas. A nação asiática acolhe, até 28 de agosto, a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, COP17, na capital, Ulan Bator.

Famílias que perderam tudo

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, participou da abertura do segmento de alto nível do encontro no domingo.

Em discurso ela ressaltou que “a terra é vida e é fonte de sustento, especialmente para os povos nômades e indígenas”.

Ela lembrou que em 2023 e 2024, uma seca severa na Mongólia resultou na perda de mais de 7 milhões de cabeças de gado. Rebanhos formados ao longo de gerações desapareceram.

Para muitas famílias, essa perda significou ficar sem seus bens, sua renda e os meios para se recuperar antes da próxima estação difícil.

Um homem de meia-idade com bigode colhe pequenas azeitonas verdes de um arbusto frondoso sob a luz brilhante do sol.
Pnud Mongolia Agricultor colhendo azeitonas em um pomar

A importância dos planos nacionais 

A vice-líder da ONU disse que o que aconteceu na Mongolia é reflexo de um quadro global, onde 40% das terras estão degradadas, comprometendo a produção de alimentos e os meios de subsistência.

Amina Mohammed disse que projetos individuais podem demonstrar o que funciona, mas não conseguem restaurar terras na escala e com a urgência necessárias.

Ela defendeu que é necessário ir além de projetos individuais e implementar planos nacionais que não deixem ninguém para trás.

Até o momento, mais de 70 países elaboraram planos nacionais para conter a seca, com o apoio da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, Unccd.

A vice-secretária-geral ressaltou que o desafio agora é dispor de espaço fiscal para que esses planos deixem de ser resoluções e se tornem realidade.

Investindo nas pessoas

Ela lembrou que pastores e agricultores trazem consigo o conhecimento de gerações e devem participar ativamente das decisões que vão moldar o futuro das terras. 

Amina Mohammed ressaltou que essas pessoas devem ter seus direitos assegurados e voz ativa sobre os investimentos, com garantias de acesso a empregos qualificados, novas fontes de renda e uma rede de proteção social. 

A COP17 reúne governos e especialistas na busca de soluções para os desafios interligados da desertificação, da degradação da terra e da seca.

Os debates enfatizam que a restauração de terras é essencial para reduzir a instabilidade, prevenir deslocamentos e fortalecer a segurança humana e nacional em regiões vulneráveis.