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El Niño pode colocar 49 milhões de pessoas em insegurança alimentar BR

Vista aérea de uma mulher rohingya grávida cozinhando comida para sua família em um acampamento em Sittwe, Myanmar.
WFP/Htet Oo Linn As famílias em Mianmar foram duramente atingidas pela alta dos preços, com as mais vulneráveis ​​enfrentando dificuldades para suprir suas necessidades diárias

El Niño pode colocar 49 milhões de pessoas em insegurança alimentar

Clima e Meio Ambiente

Fenômeno climático causará efeitos até 2027, incluindo o comprometimento de colheitas; maiores impactos são esperados em partes da América Central e do sul da África; seca, inundações e temperaturas extremas já estão colocando comunidades em risco.

O fenômeno climático El Niño pode levar pelo menos 49 milhões de pessoas a mais para a insegurança alimentar aguda até o final de 2027.

Análises do Programa Mundial de Alimentos, WFP, divulgadas nesta quarta-feira, revelam que o El Niño influenciará os padrões de chuva, temperaturas e a ocorrência de enchentes e secas em 45 países que já sofrem com falta de comida. A maioria na América Central e no sul da África.

Abalos nos ciclos de colheitas

Nessas nações, o número total de pessoas que não conseguem suprir suas necessidades alimentares diárias aumentaria cerca de 22%.

Outras áreas com efeitos significativos são o leste da África, sul e sudeste da Ásia.

Espera-se que o fenômeno atinja o pico entre setembro e dezembro de 2026, mas em muitos locais os efeitos serão sentidos ao longo do próximo ano, devido aos impactos nos futuros ciclos de colheita. 

O WFP alerta que seca, inundações e temperaturas extremas já estão colocando comunidades em risco.

Um agricultor está em um campo de milho afetado pela seca na Zâmbia.
© WFP/Gabriela Vivacqua Um agricultor inspeciona uma plantação de milho afetada pela seca na Zâmbia.

Ação antecipatória

A agência está intensificando seus esforços de preparação e resposta, já que os impactos do El Niño atingem primeiro aqueles que são mais vulneráveis à fome.

O diretor executivo interino do WFP, Carl Skau, disse que quanto mais cedo as famílias receberem apoio para se preparar para os choques climáticos, “maior será a capacidade de salvar vidas e proteger meios de subsistência”.

Desde maio, o WFP tem acionado planos de ação no Sudão do Sul, Chade, Mauritânia, Uganda, Guatemala e El Salvador, fornecendo mais de US$ 14 milhões em respostas para apoiar meio milhão de pessoas. 

Isso inclui a ampliação dos mecanismos de financiamento pré-estabelecidos, como seguro de risco de desastre, crédito e pagamentos digitais, para disponibilizar mais dinheiro a um custo menor.

Redução de necessidades humanitárias

Além disso a agência possui planos de ação antecipatória ativos em mais de 50 países, onde apoia governos em seus preparativos e ajuda comunidades a reduzir riscos.

Skau enfatizou que a preparação para enchentes, secas e tempestades antes que elas ocorram reduz as necessidades humanitárias futuras.

Experiências de eventos anteriores de El Niño mostraram que cada US$ 1 investido em programas antecipados pode economizar entre US$ 3 e 7 em perdas evitadas e custos de resposta.

O WFP e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, já fizeram um apelo por apoio para ajudar comunidades em risco a se prepararem para o El Niño. O objetivo é fim de proteger vidas, meios de subsistência e segurança alimentar antes que emergências se agravem.