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Conselho de Segurança debate como minerais críticos alimentam conflitos BR

Garimpeiros carregam grandes sacos de minerais em uma encosta acidentada na mina de Mudere, na região de Kivu Norte, na República Democrática do Congo.
Adobe Stock/Erberto Zani O cobalto é extraído em Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, uma área controlada por uma milícia

Conselho de Segurança debate como minerais críticos alimentam conflitos

Paz e segurança

Sessão aborda exploração de metais como lítio, cobalto, níquel, cobre e grafite, usados em baterias, celulares, carros elétricos e fontes limpas de energia; líder da ONU pede mais cooperação para barrar mineração ilegal e contrabando. 

Para abastecer a economia digital e a transição para a energia limpa, o mundo depende cada vez mais de minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, cobre e grafite. 

Apesar de representar uma grande oportunidade econômica, a exploração desses recursos também está alimentando conflitos, corrupção, danos ambientais e violações dos direitos humanos.

Uma visão ampla do Conselho de Segurança das Nações Unidas em sessão, com delegados sentados ao redor de uma grande mesa curva para um debate aberto sobre a governança dos recursos naturais.
ONU/Loey Felipe O Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir a governança dos recursos naturais

Lucros que alimentam guerras prolongadas

O tema chegou ao Conselho de Segurança da ONU, nesta quarta-feira, num debate sobre preocupações como o controle de grupos armados sobre estes metais, o uso da mineração ilegal para financiar conflitos e o contrabando por redes criminosas. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou da reunião e cobrou mais transparência e cooperação contra o comércio ilícito. 

Guterres enfatizou que é preciso “negar aos grupos armados e às redes criminosas os lucros que alimentam conflitos prolongados”. Caso contrário, a exploração dos recursos naturais vai continuar gerando “desigualdade, instabilidade e violência”.

Em alguns contextos, as operações de paz das Nações Unidas ajudam autoridades a combater a exploração ilícita desses minerais. Mas organizações internacionais, instituições financeiras e empresas também precisam fazer sua parte, garantindo uma cadeia de produção 100% regulada. 

Foco na redução das tensões geopolíticas

Guterres elogiou a decisão da União Europeia de proibir a compra, importação e transferência de ouro do Sudão, bem como a exportação para o país de mercúrio e cianeto, substâncias que alimentam a extração do metal precioso.

A demanda por esses minerais só vai crescer, acompanhando o aumento do consumo de carros elétricos, painéis solares, smartphones e dos investimentos em tecnologia espacial, defesa e inteligência artificial.

A ONU projeta que a demanda por muitos minerais críticos deve triplicar até 2030.

A reunião do Conselho de Segurança foi convocada, sob a Presidência rotativa da República Democrática do Congo, para tentar evitar que essa demanda aumente tensões geopolíticas e seja, ao invés disso, canalizada para contribuir com a paz e o desenvolvimento.

Um grande caminhão basculante amarelo transporta material em uma estrada de terra em uma mina de níquel, com outros equipamentos de mineração e terra escavada visíveis ao fundo.
Adobe Stock/Mirwanto Um caminhão transporta material em uma mina de níquel na Indonésia

“Fim da exploração e da pilhagem”

Guterres pediu que haja uma transformação para garantir “o fim da exploração e dos saques”. Segundo ele, uma parcela muito maior do valor agregado deve permanecer nos países produtores e nas comunidades afetadas. 

Em entrevista antes da reunião do Conselho, o diretor do Instituto de Água Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas afirmou que a cadeia de produção, desde a extração desses metais até o descarte do lixo eletrônico, revela uma distribuição desigual dos custos e benefícios.

Kaveh Madani declarou que sem mecanismos de governança sobre estes minerais, vão surgir pelo mundo “zonas de sacrifício”, onde comunidades locais sofrem impactos e violações. 

Capacidade nacional de negociação

O debate no Conselho de Segurança explora como uma governança de recursos naturais inclusiva, transparente e sustentável pode ajudar a reverter dinâmicas de conflito e fortalecer as condições para a paz.

Até o momento, não existe um mecanismo universal que reconheça a governança e a rastreabilidade de recursos naturais como ferramentas para a prevenção e a resolução de conflitos.

As Nações Unidas ajudam os países a fortalecer a capacidade nacional de negociar acordos de mineração, expandir o processamento e o refino internos, gerir receitas públicas e mitigar impactos sociais e ambientais.

Alguns exemplos dessa atuação incluem países como RD Congo, Moçambique, Uganda, Zâmbia, Argentina, Indonésia e Casaquistão.