Perspectiva Global Reportagens Humanas

ONU reforça memória de genocídio em Srebrenica para combater negacionismo BR

Fileiras de lápides brancas em um cemitério coberto de neve, com montanhas ao fundo.
Nações Unidas/ Darko Zecevic Lápides marcam os locais de descanso final dos homens e meninos que foram mortos no genocídio de Srebrenica

ONU reforça memória de genocídio em Srebrenica para combater negacionismo

Paz e segurança

Cerimônia na Assembleia Geral reafirma compromisso da comunidade internacional com prevenção; ataque do Exército sérvio-bósnio, em 1995, resultou na execução sumária de mais de 8 mil homens e meninos bósnios muçulmanos.

A Assembleia Geral da ONU realiza, nesta quinta-feira, uma cerimônia antecipada para marcar o Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de Srebrenica, que é celebrado todo 11 de julho.

O evento presta tributo às vítimas e reafirma o compromisso da comunidade internacional com a memória, a justiça e a prevenção do genocídio.

Capítulo sombrio da guerra da Bósnia

O massacre de Srebrenica foi o maior já visto na Europa desde o Holocausto e marcou um dos capítulos mais sombrios da guerra da Bósnia, desencadeada após a dissolução da antiga Iugoslávia.

Em julho de 1995, o Exército sérvio-bósnio tomou Srebrenica, local que havia sido declarado uma “zona segura” pelo Conselho de Segurança da ONU, e assassinou brutalmente mais de 8 mil homens e meninos da minoria muçulmana bósnia.

O restante da população que estava em Srebrenica, aproximadamente 25 mil mulheres, crianças e idosos, foi transferida à força para fora do enclave.

Uma pessoa segura várias fotografias pequenas e antigas de homens na palma da mão.
UN News/Hisae Kawamori Kada Hotić perdeu o filho, o marido e dois irmãos, fotografados aqui, no genocídio de Srebrenica.

Combate ao revisionismo

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou solidariedade aos sobreviventes e às famílias das vítimas, incluindo as Mães de Srebrenica, “cuja coragem manteve a verdade viva diante do mundo”.

Guterres enfatizou que relembrar Srebrenica significa proteger essas verdades contra a negação e o revisionismo, buscar a responsabilização e reconhecer o sofrimento de cada vítima. 

Para ele, significa também enfrentar o discurso de ódio e a discriminação, e renovar o compromisso de garantir que algo assim nunca mais aconteça.

O líder da ONU fez um apelo para que a memória de Srebrenica “fortaleça o compromisso com a dignidade humana, hoje e para as gerações futuras”.

A guerra da Bósnia durou de 1992 a 1995 e ceifou mais de 100 mil vidas, em sua maioria, de muçulmanos bósnios. O conflito também provocou o deslocamento de mais de 2 milhões pessoas.

Condenação por crime de genocídio

A Corte Internacional de Justiça, CIJ, e o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, Tpii, reconheceram o massacre de muçulmanos bósnios em Srebrenica, perpetrado pelo exército sérvio, como um ato de genocídio.

Esses órgãos também afirmaram que a responsabilidade criminal é individual e jamais pode ser atribuída a qualquer grupo étnico, religioso ou de outra natureza.

Mais de 50 pessoas, incluindo autoridades do alto escalão sérvio, como Radislav Krstić, Ratko Mladić e Radovan Karadzić, foram condenadas por crimes cometidos em Srebrenica. O trabalho dos tribunais da ONU foi fundamental para levar os autores à justiça e fazer cumprir o direito internacional.

O 11 de julho também será marcado por cerimônias na Bósnia e Herzegovina, com a participação da equipe das Nações Unidas no país.