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Onda de calor extremo na Europa deixa corpo humano 24h sob pressão térmica BR

Um sol brilhante resplandece através de nuvens alaranjadas em um céu de onda de calor.
Unsplash/Nathan Hurst O calor extremo está afetando milhões de pessoas em todo o mundo

Onda de calor extremo na Europa deixa corpo humano 24h sob pressão térmica

Clima e Meio Ambiente

Temperaturas batem recorde na França e na Espanha; Reino Unido, Alemanha e Suíça emitem alertas vermelhos; Organização Meteorológica Mundial alerta para risco acentuado de estresse, incêndios florestais e tempestades fortes; especialista explica que ritmo de “noites tropicais” impedem recuperação física e ameaçam a saúde. 

A Europa enfrenta uma onda de calor extremo que já afeta 24 países, com temperaturas máximas diárias acima de 35 °C e mínimas além de 20 °C, descritas como “noites tropicais”.

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, informou que existe um risco acentuado de estresse térmico e incêndios florestais, mas também tempestades fortes, com granizo. 

Pressão 24 horas por dia 

As noites tropicais, quando a temperatura não se mantém abaixo de 20°C, estão se tornando cada vez mais comuns, especialmente nas cidades.

O conselheiro técnico de Serviços para Calor Extremo do Escritório Conjunto de Clima e Saúde da OMM-OMS, Armel Castellan, explicou que à noite, o corpo deveria se recuperar, pois durante o sono a temperatura cai, o sistema cardiovascular descansa e o estresse acumulado de um dia quente começa a diminuir. 

Quando as noites permanecem quentes, essa recuperação não acontece. O corpo continua sob pressão 24 horas por dia.

O especialista ressaltou que ao avaliar o impacto de uma onda de calor na saúde, as temperaturas mínimas podem ser mais significativas do que a máxima. 

De acordo com ele, um dia que chega a 38°C, mas cai para 18°C, é muito diferente de um dia que chega a 36°C e permanece acima de 25°C durante a noite. O segundo cenário traz um risco à saúde muito maior.

Temperaturas recordes na França e Espanha

A França viveu nesta quarta-feira seu dia mais quente já registrado, superando o recorde estabelecido no dia anterior, com uma temperatura média nacional de 30°C.

As temperaturas chegaram a 43,8 °C na cidade de Pulluau, no oeste do país. As temperaturas durante a noite também estabeleceram um novo recorde nacional. Um alerta vermelho de alto nível foi emitido em 58 departamentos, a maior parte do território. 

A Espanha também teve os seus dias mais quentes já registrados, em 23 e 24 de junho. Em vários locais, as temperaturas estavam bem acima de 40°C, segundo a Agência Estatal de Meteorologia, Aemet.

Um menino brinca em uma fonte enquanto um homem e um bebê em um carrinho se refrescam ao fundo em um dia quente de verão na Itália.
Adobe Stock/Michele Ursi Um menino se refresca em uma fonte durante uma onda de calor na Itália

Alertas no Reino Unido, Alemanha e Suíça

Met Office do Reino Unido emitiu um alerta vermelho de calor extremo para 24 e 25 de junho e registrou um novo recorde diário de temperatura máxima do ar para junho, com 36,1°C registrados em Gosport, no sul do país, nesta quarta-feira. 

O mesmo alerta ocorreu com o Serviço Meteorológico Nacional da Alemanha para as cidades de Bonn, Frankfurt e Colônia. 

Já na Suíça, Genebra, Basel e Zurique também entraram em alerta máximo.

A onda de calor se espalhará por grandes partes da Europa Ocidental, Central e do Sul nas próximas duas semanas, segundo um dos centros regionais europeus de monitoramento climático da OMM.

Segundo as previsões mais recentes, o foco do calor provavelmente será os Bálcãs.

“Marca clara da crise climática”

O secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, declarou que esta onda de calor é uma “marca clara da crise climática”. 

Para ele, “este é o preço mais recente a ser pago pela poluição causada pelos combustíveis fósseis, que estão incinerando o planeta”.

A crise está deixando escolas fechadas, causando mortes e levando as economias ao limite. 

Stiell afirmou que enquanto a humanidade continuar a queimar quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, “as ondas de calor extremas só tendem a piorar”, bem como outros fenômenos climáticos, incluindo secas, inundações, incêndios florestais e tempestades.

Ele defendeu uma transição mais rápida para energias renováveis, juntamente com a proteção das florestas e o fortalecimento da resiliência climática, enfatizando que não há tempo a perder.