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ONU condena guerras com drones e retrocessos em direitos humanos BR

Um jovem chamado Mahdi está entre os escombros da casa destruída de seu avô em Beirute, no Líbano, segurando um laptop. Ele parece triste, cercado por destroços da guerra, refletindo sobre lembranças perdidas e esperando pela reconstrução do país.
© Unicef/Fouad Choufany Mahdi, de 10 anos, visita o que resta da casa de seu avô em Beirute após o cessar-fogo no Líbano.

ONU condena guerras com drones e retrocessos em direitos humanos

Direitos humanos

Alto-comissário alertou para massacres, repressões e cortes na ajuda humanitária, classificando o uso de armas autônomas como espiral de terror.

Em discurso no Conselho de Direitos Humanos, o alto-comissário da ONU sobre o tema, Volker Turk, ressaltou violações graves em conflitos no Oriente Médio, na África e na Europa, o uso crescente de drones em guerras e criticou retrocessos em igualdade de gênero, liberdade de imprensa e proteção de minorias. 

Em conjunto com a criação da Aliança Global pelos Direitos Humanos, Turk pretende mobilizar governos e sociedade civil em torno da defesa da dignidade, da justiça e da construção de respostas conjuntas às crises internacionais.

Ataques sem precedentes

Segundo ele, a luta pelos direitos humanos é marcada por avanços e retrocessos, mas atualmente o que se vê são ataques sem precedentes.

O cenário descrito pelo alto-comissário da ONU revela um período conturbado, com perdas de direitos em áreas como África, Américas, Europa e Oriente Médio.

Nos Territórios Palestinos incluindo a Cisjordânia, Turk diz que a ação de Israel estaria provocando mortes de civis, restrição à ajuda humanitária e anexações de território.

No Líbano, milhares de pessoas foram mortas. A violência já causou 1 milhão de deslocados.

Na região do Sahel, países como Mali, Burkina Fasso e Níger enfrentam massacres, execuções extrajudiciais e repressão a organizações civis. 

Turk também mencionou violência política e tensões religiosas em países incluindo Nigéria, Camarões, Etiópia e Somália, além de crises humanitárias no Haiti, em Cuba, no Peru, na Síria e no Iêmen.

Rowda Hassan Mohamed e sua família posam com ajuda alimentar do PAM em sua casa no Acampamento de Deslocados Internos de Ceel Jaale, Kismayo, Somália.
© WFP/Arete/Mahad Said O IPC estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas encontram-se em emergência alimentar

Espiral de terror

O alto-comissário destacou que os alertas da ONU contra armas autônomas letais se tornaram realidade em países como Sudão, Ucrânia e República Democrática do Congo. 

Em Gaza, Israel, Líbano e Mianmar, a guerra com drones estaria alimentando uma nova espiral de terror. 

Segundo ele, essas armas destroem comboios de ajuda, infraestrutura energética e aterrorizam civis. 

Cortes orçamentários em ajuda humanitária

Turk também criticou os cortes na ajuda humanitária, que têm impacto catastrófico nos direitos humanos. 

Ele comparou os custos: manter a ajuda global em 2026 equivaleria a apenas três dias de gastos militares mundiais; sustentar o Alto Comissariado da ONU custaria o equivalente a duas horas desses gastos.

O discurso incluiu denúncias de assassinatos e desaparecimentos de defensores de direitos humanos e jornalistas, censura em países como Uganda, Belarus e Rússia, perseguição a minorias Lgbtqi+ em Gana e Níger, além de retrocessos em igualdade de gênero e violência contra mulheres. 

Turk criticou algumas políticas migratórias da União Europeia e casos de xenofobia na África do Sul, além de condenar islamofobia, antissemitismo e perseguição a povos indígenas em países como China e Nicarágua.

As políticas de imigração também afetam grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo masculina, em que jogadores, torcedores e dirigentes enfrentam obstáculos para entrar nos Estados Unidos.

Uma vista aérea de um grande campo de refugiados com numerosas tendas montadas perto da costa em Gaza, cercado por escombros e edifícios danificados.
Notícias da ONU Deslocamento em massa afeta a maior parte da população de Gaza

Avanços recentes

Apesar do tom de alerta, o alto-comissário citou avanços recentes, como compensação a povos indígenas na Austrália e reconhecimento de direitos Lgbtqi+ na China.

Ele falou sobre o fortalecimento de instituições nacionais de direitos humanos em diversos países e atuação de tribunais regionais na responsabilização por danos ambientais também foram destacados.

Turk finalizou ressaltando  que os direitos humanos são elo entre todos os seres humanos e anunciou a criação da Aliança Global pelos Direitos Humanos, que pretende fortalecer parcerias e construir um mundo melhor.