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Khalilur Rahman eleito presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU BR

48ª sessão plenária da Assembleia Geral, na sede das Nações Unidas, em Nova York.
Foto da ONU/Loey Felipe Assembleia Geral focará na implementação prática do Pacto para o Futuro e na Iniciativa ONU80

Khalilur Rahman eleito presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU

Por Eleutério Guevane*
Assuntos da ONU

Chefe da diplomacia de Bangladesh vence em época de desafios; secretário-geral diz que apenas um quinto das metas globais está no caminho certo em mundo marcado por crise climática e recordes de necessidades humanitárias; atual presidente fala de defesa da Carta da ONU como uma necessidade diária.

Numa votação renhida, o atual ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman, foi eleito nesta terça-feira para presidir a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

Para liderar a sessão, que começa em setembro próximo, Rahman venceu o candidato Andreas Kakouris, do Chipre, por uma margem estreita de 99 votos contra 91, num universo de 190 Estados-membros votantes. 

Defesa da Carta da ONU como necessidade diária

Doutor em Economia pela Universidade de Harvard, o próximo presidente do maior órgão deliberativo das Nações Unidas assume a liderança da Casa num momento de “viragem histórica e profundos desafios geopolíticos”.

O primeiro discurso de felicitações coube à Annalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Casa. Ela frisou que a defesa da Carta das Nações Unidas é “uma necessidade diária”, que recai sobretudo sobre a Assembleia Geral, seu presidente e o secretário-geral.

Baerbock realçou que o órgão terá de continuar focado em processos intergovernamentais cruciais, como a implementação prática do Pacto para o Futuro e os esforços de reforma através da Iniciativa ONU80, em colaboração com o secretário-geral.

Khalilur Rahman discursa em um pódio durante uma reunião da Assembleia Geral da ONU em Nova York.
ONU/Manuel Elias Próximo presidente do maior órgão deliberativo das Nações Unidas assume a liderança da Casa num momento de viragem histórica

Desafios e novas possibilidades

O tema de Khalilur Rahman na corrida para presidência foi “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Servem a Todos”, numa tradução livre. O secretário-geral disse ser um inspirador apelo à ação para o sistema multilateral 

António Guterres disse que Khalilur Rahman assume o posto num momento de “profundo desafio, mas também de profunda possibilidade”. 

O secretário-geral traçou um diagnóstico do mundo que “enfrenta conflitos, divisões crescentes, caos climático e um progresso inaceitável nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável onde um quinto das metas está no rumo certo.”

O líder da ONU apontou ainda o anacronismo das estruturas globais ao realçar a luta com instituições e estruturas que ficaram presas no mundo de 1945, e não na realidade atual, desde o Conselho de Segurança à arquitetura financeira global.

Num contexto em que as necessidades humanitárias atingem recordes, o secretário-geral lembrou que o financiamento ao auxílio essencial e ao progresso sustentável continua a diminuir, aprofundando o défice de confiança entre as nações.

Uma vista da exposição fotográfica interativa "A paz começa com ela", fora da sede das Nações Unidas em Nova York, com grandes retratos de mulheres peacekeepers e construtoras da paz.
Foto da ONU/Loey Felipe Um quinto das metas globais está no caminho certo em mundo marcado por crise climática e recordes de necessidades humanitárias

A Esperança na Ação Coletiva

Mesmo com este panorama, Guterres expressou uma esperança renovada baseada no trabalho diário de diálogo e colaboração que ocorre na Assembleia Geral. 

Para o secretário-geral, o Pacto para o Futuro e a Iniciativa ONU80 representam o plano de ação necessário para aplicar reformas ousadas e conduzir a organização rumo aos dias vindouros.

Guterres defende que o mandato de Khalilur Rahman na 81ª sessão da Assembleia Geral será essencial para tornar esses compromissos em soluções reais, capazes de devolver ao mundo a fé no multilateralismo e na eficácia das Nações Unidas.

Até assumir o cargo, Rahman foi ministro dos Negócios Estrangeiros de Bangladesh numa trajetória em que serviu à diplomacia e à segurança nacional. 

Antes de conduzir as relações do país com o mundo, ele foi assessor de Segurança Nacional e alto representante para a Questão dos Rohingya no governo interino como parte da carreira diplomática iniciada em 1979.

*Eleutério Guevane é jornalista sênior da ONU News.