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Chefe de Direitos Humanos quer fim do retorno involuntário de afegãos BR

Representantes da ONU-Habitat e da UNICEF reúnem-se com homens afegãos em um campo de refugiados, com tendas da ONU visíveis ao fundo.
© ONU Habitat / Balaji Rajkumar Representantes da ONU Habitat e do Unicef visitam um campo de deslocados na província de Kunar, no Afeganistão.

Chefe de Direitos Humanos quer fim do retorno involuntário de afegãos

Direitos humanos

Quase 270 mil pessoas já foram deportadas para o Afeganistão desde o início do ano; medida é uma violação dos direitos dos refugiados; Volker Turk insta Estados a cumprirem “obrigações legais internacionais”. 

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou para a alta tendência de retorno involuntário de refugiados e candidatos a asilo dos países de acolhimento para o Afeganistão. 

Numa violação dos direitos humanos e do direito dos refugiados, Turk sublinha que “as mulheres, crianças e homens afegãos continuam a ser expulsos de países onde procuraram segurança, sendo forçados a regressar ao Afeganistão contra a sua vontade e expostos a riscos graves”.

270 mil afegãos deportados em 2026

Segundo a agência da ONU para Refugiados, Acnur, quase 270 mil afegãos foram deportados desde o início do ano. A maioria provém do Irã, com 1,2 milhões, e do Paquistão, com 150 mil afegãos retornados em 2025.

Também no ano passado, o relatório “Sem Refúgio” do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos concluiu que os afegãos retornados involuntariamente sofreram detenções arbitrárias, prisão, tortura e maus-tratos às mãos das autoridades de facto. 

Os mais expostos ao risco de represálias e violações de direitos humanos incluem mulheres e meninas. Também correm perigo as pessoas associadas ao antigo governo e às forças de segurança, trabalhadores dos media, membros da sociedade civil e integrantes da comunidade Lgbtoq+.

O Diretor Executivo Adjunto do PMA, Carl Skau, e outros funcionários revisam documentos com os retornados no Centro de Trânsito de Torkham, no Afeganistão.
© PMA/Isheeta Sumra Carl Skau, do WFP, visita o Centro de Trânsito de Torkham, onde os repatriados do Paquistão são recebidos e registrados.

Deportação forçada contraria direito internacional 

O retorno involuntário de indivíduos sob risco de violação dos direitos humanos contraria o princípio do direito internacional da não-repulsão.

Neste sentido, Volker Turk exorta os Estados a “cumprirem as suas obrigações legais internacionais e a protegerem os afegãos, evitando qualquer ação que os exponha a danos irreparáveis no regresso”. 

Países europeus retomam deportações 

Apesar de alguns Estados-membros da União Europeia apelarem a uma abordagem mais coordenada para o retorno de afegãos, o alto-comissário manifestou preocupação com os relatos de que alguns países europeus consideram ou já retomaram as deportações involuntárias.

Ainda no velho continente, a proposta de reforma da política de repatriamento de migrantes da União Europeia pode enfraquecer as salvaguardas dos direitos humanos e expor pessoas a riscos, alerta Turk. 

O Afeganistão enfrenta uma situação humanitária precária e insegurança transfronteiriça. Nos últimos três meses foram registadas as taxas mais elevadas de vítimas civis desde a tomada de poder pelos talibãs, em resultado da escalada de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão.