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OMS afirma que risco regional de ebola é alto, mas ameaça global é baixa BR

Um profissional de saúde da OMS usando máscara, luvas e jaleco cor de teal está em uma aldeia rural com cabanas de telhado de palha ao fundo.
OMS Corpo da primeira vítima foi transferido de Bunia para Mongbwalu

OMS afirma que risco regional de ebola é alto, mas ameaça global é baixa

Saúde

Diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, admite que escala real da epidemia na RD Congo supera largamente os dados oficiais; até o momento, foram validados 51 casos nas províncias de Ituri e Kivu do Norte; agência enfatiza forte preocupação regional.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou nesta quarta-feira que a variante rara do vírus ebola conhecida como Bundibugyo pode ter provocado 139 mortes e mais de 600 casos suspeitos.

Ainda não há tratamentos ou vacinas aprovadas, mas os hospitais estão superlotados. Em relação aos casos, 51 foram confirmados nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, e dois no vizinho Uganda.

Risco de disseminação regional é alto

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que o surto foi declarado uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Ele explicou que apesar do risco de disseminação ser alto nos dois países, em termos globais permanece baixo.

O verdadeiro perigo do vírus Bundibugyo foi o fato de que, por várias semanas, o patógeno se espalhou de forma silenciosa por comunidades congolesas. 

William G. Dundon, biólogo molecular, prepara-se para a extração do genoma viral dentro de um gabinete de biossegurança no Laboratório de Proteção e Saúde Animal da OIEA, na Áustria.
Aeia/Dean Calma OMS mantém uma equipe em campo, apoiando as autoridades nacionais na resposta

Quando as autoridades de saúde começaram a investigar a primeira morte suspeita, em 24 de abril, na cidade oriental de Bunia, os testes buscavam uma cepa mais comum do ebola para o qual o resultado deu negativo.

Com a falha inicial de detecção ao vírus, o corpo da primeira vítima foi transferido para Mongbwalu. A área de mineração densamente povoada tem sido o estopim para o atual epicentro da epidemia.

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Números continuem aumentando

Tedros Ghebreyesus disse que já se sabe que a escala da epidemia é muito maior e a expectativa é que esses números continuem aumentando.

Em relação à inquietação da agência, o chefe da OMS listou vários fatores que justificam a séria preocupação como o potencial de uma maior propagação e de mais mortes.

Em primeiro lugar, além dos casos confirmados de ebola, há quase 600 pacientes e 139 mortes suspeitos. Espera-se que esses números continuem a aumentar, dado o tempo em que o vírus circulou antes de o surto ser detectado.

Em segundo lugar, a epidemia expandiu-se, com casos notificados em várias áreas urbanas. Terceiro, foram relatadas mortes entre profissionais de saúde, indicando transmissão associada aos serviços de cuidados. 

 

O quarto fator de inquietação é a movimentação populacional significativa na região. Para Tedros, é ainda provável que o surto da rara cepa Bundibugyo tenha iniciado há alguns meses. Ele mencionou que houve uma morte suspeita em 20 de abril, mas que as investigações continuavam em andamento.

US$ 3,9 milhões em financiamento de emergência

No terreno, a OMS mantém uma equipe em campo, apoiando as autoridades nacionais na resposta. A agência despachou mais pessoal, suprimentos, equipamentos e recursos financeiros.

Um montante de US$ 3,9 milhões em financiamento de emergência foi aprovado para apoiar a resposta.

Em Genebra, a presidente do Comitê de Emergência da OMS, Lucille Blumberg, enfatizou que a transmissão do ebola ocorre por meio do contato direto com o sangue e fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Um homem de camisa polo escura fica entre dois indivíduos com trajes de proteção amarelos e capuzes brancos em um cenário ao ar livre.
OMS/T. Jasarevic Chefe da OMS listou vários fatores que justificam a séria preocupação como o potencial de uma maior propagação

Esse seria o caso do paciente que faleceu em 5 de maio em Bunia, a capital da província de Ituri, após a família ter decidido substituir o caixão.

Regulamento Sanitário Internacional

O grupo de especialistas disse que a transmissão não ocorre por contato casual nem pelo ar e enfatizou que é preciso ter isso em consideração na discussão sobre eventuais restrições de viagem, que não são respaldadas pelas recomendações do Regulamento Sanitário Internacional.

Blumberg apontou desafios para manter o surto sob controle dada a crise humanitária em curso na RD Congo, onde existem sérias questões de segurança, alta mobilidade da população e proximidade com diversas fronteiras.

Entre os mecanismos urgentes a serem implementados estão obter mais recursos, pessoal, pesquisa e desenvolvimento de medidas de combate aliados à intensificação da vigilância e identificação de potenciais contatos.