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Ebola se propaga rapidamente na RD Congo com mais de 500 casos suspeitos BR

Trabalhadores carregando suprimentos médicos em um avião para entrega à resposta ao Ebola na República Democrática do Congo.
OMS Chegada de apoio vital em Bunia para reforçar a resposta ao surto de Ebola em Ituri

Ebola se propaga rapidamente na RD Congo com mais de 500 casos suspeitos

Saúde

Apenas 30 notificações foram confirmadas até agora; surto está ligado à cepa Bundibugyo, uma variante para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos; doença fatal se espalha em nação arrasada por conflitos e deslocamento em massa.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, declarou que já existem mais de 500 casos suspeitos de Ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, incluindo 130 mortes que podem estar ligadas à doença. 

A representante da agência no país africano, Anne Ancia, disse que apenas 30 casos foram confirmados até agora.

Vírus do tipo Bundibugyo

Falando da província de Ituri, ela disse a jornalistas em Genebra que os profissionais de saúde estão correndo para impedir a transmissão num cenário de rápida propagação.

Ela declarou que existe uma “incerteza significativa sobre o número de infecções e até onde o vírus se espalhou".

A OMS está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades e enviando rapidamente mais kits de teste para o leste da RD Congo para identificar casos. O surto está associado ao vírus do tipo Bundibugyo, uma variante do Ebola para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos.

Famílias no acampamento de deslocados internos de Shari em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em 17 de setembro de 2025.
Unicef/Jospin Benekire O leste da RD Congo tem vivenciado repetidas ondas de violência e deslocamento. Na imagem, famílias abrigadas em um campo de deslocados internos na província de Ituri, em setembro de 2025

Primeiros casos

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou uma emergência de saúde pública de preocupação internacional no domingo. Ele disse estar apreensivo com a "escala e velocidade da epidemia".

Tedros alertou que o surto de ebola pode se propagar ainda mais devido à transmissão em áreas urbanas, incluindo Kampala, no Uganda, e Goma, na RD Congo, além de infecções entre profissionais de saúde e do deslocamento populacional em larga escala causado pela insegurança e pelos conflitos no leste congolês.

Anne Ancia está em Bunia, o local onde os casos foram inicialmente detectados. Ela explicou que uma pessoa que morreu neste local e o corpo foi levado para Mongbwalu. Após os ritos fúnebres e manuseio do corpo para o funeral, a doença começou a se espalhar.  

Muitas pessoas receberam teste para a cepa Zaire do ebola e tiveram resultado negativo, o que atrasou a resposta de saúde pública. Foi somente por meio de testes na capital da RD Congo, Kinshasa, que a presença do vírus Bundibugyo foi finalmente revelada.

Contexto “altamente complexo”

A doença causa sintomas como febre, fadiga, diarreia, vômito e sangramento nasal a partir do quinto dia de infecção.

Um grupo consultivo técnico da OMS se reúne nesta terça-feira para fornecer recomendações sobre qual vacina potencial deve ser priorizada.

Segundo a especialista, pode levar meses para que uma vacina esteja disponível. Ela enfatizou que a chave para conter a transmissão está no trabalho de base dentro das comunidades para aumentar a conscientização e garantir o cumprimento das medidas sanitárias, especialmente em torno de funerais.

Anne Ancia disse ainda que a RD Congo tem um contexto "epidemiológico, operacional e humanitário altamente complexo".

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, afirmou que as províncias afetadas de Ituri e Kivu do Norte abrigam mais de 2 milhões de deslocados internos e retornados. A capacidade de saúde continua enfraquecida pelo conflito no país.