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Fórum Urbano Mundial no Azerbaijão busca soluções para crise habitacional BR

Vista aérea de uma área de favelas densamente povoada em Mumbai, Índia, com casas improvisadas e lonas azuis, em contraste com os modernos arranha-céus ao fundo.
Unsplash/Alfarnas Solkar Uma área densamente povoada de favelas em Mumbai, Índia

Fórum Urbano Mundial no Azerbaijão busca soluções para crise habitacional

ODS

Até 2050, mais de 70% da população mundial vai morar em cidades; número de pessoas vivendo em favelas deve subir de 1,1 para 3 bilhões nas próximas décadas; evento da ONU-Habitat, realizado a cada dois anos, debate desafios como impactos climáticos e reconstrução de comunidades destruídas por conflitos. 

O aumento dos custos da moradia, choques climáticos e conflitos estão deixando milhões de pessoas sem abrigo adequado.* 

A cidade de Baku, capital do Azerbaijão, abriga a partir deste domingo o 13º Fórum Urbano Mundial da ONU, onde mais de 27 mil participantes debatem soluções para uma crise habitacional global cada vez mais profunda.

Um grande e colorido logotipo em forma de balão de fala para o Fórum Urbano Mundial 2026 está sobre um pedestal, do lado de fora de um edifício moderno em Baku, no Azerbaijão.
ONU-Habitat Baku, Azerbaijão, sediará a décima terceira sessão do Fórum Urbano Mundial, de 17 a 22 de maio de 2026, organizada pela ONU-Habitat e pelo Governo do Azerbaijão

2,8 bilhões de pessoas em moradias inadequadas           

A conferência, organizada pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, em parceria com o Azerbaijão, reúne líderes mundiais, prefeitos, especialistas, empresários, ativistas e organizações internacionais.

O tema do fórum é um chamado à ação: “Habitação para o Mundo: Cidades e Comunidades Seguras e Resilientes”. 

Segundo a ONU, cerca de 2,8 bilhões de pessoas vivem atualmente em condições inadequadas de moradia, enquanto mais de 300 milhões não têm qualquer habitação. Com quase 70% da população mundial vivendo em cidades até 2050, a tendência é de agravamento da crise.

Em entrevista à ONU Vídeo, a diretora-executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, descreveu a situação como uma “crise habitacional global”.

Aumento do custo de vida

Ela explicou que “essa crise sempre foi mais severa e estrutural no Sul Global, mas agora também está sendo sentida no Norte Global”, afirmou.

Segundo Rossbach, o aumento do custo de vida tornou-se um grande problema, enquanto crises internacionais, incluindo a guerra no Oriente Médio e os riscos associados às cadeias globais de abastecimento, agravam ainda mais a situação.

Para ela, a moradia precisa ser cada vez mais vista como um elemento central da dignidade humana, da resiliência urbana e até da estabilidade global. 

Um assentamento urbano denso com numerosas casas construídas em uma encosta, localizado na favela Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Brasil. Um grande edifício laranja com telhado branco destaca-se entre as casas menores, com montanhas visíveis ao fundo sob um céu nublado.
Tânia Rego/Agência Brasil Aglomerado de casas das favelas do Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro

Assentamentos informais: desafio e oportunidade

Um dos temas centrais do fórum será o rápido crescimento dos assentamentos informais, áreas não planejadas onde os moradores não possuem direito legal à terra e vivem em moradias precárias.

Atualmente, cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivem em favelas, e projeções indicam que esse número pode aumentar em mais 2 bilhões nas próximas décadas. As crianças estão entre as mais vulneráveis: estima-se que entre 350 milhões e 500 milhões vivam nessas condições.

Ao mesmo tempo, a ONU-Habitat defende uma mudança de abordagem que deixe de tratar os assentamentos informais apenas como um problema. Em muitos casos, esses bairros representam a única forma de milhões de pessoas conseguirem abrigo nas cidades.

Reconstrução após conflitos

Outro tema de destaque, em meio a conflitos e crises em andamento, será a recuperação das cidades após guerras e desastres. Até o fim de 2022, mais de 123 milhões de pessoas haviam sido deslocadas à força em todo o mundo, segundo a ONU, sendo que mais de 60% buscaram refúgio em áreas urbanas.

Perder uma casa é muito mais do que perder um teto, e pode representar a ruptura de comunidades, a perda de meios de subsistência e um profundo sentimento de insegurança. 

Em Baku, o foco não será apenas fornecer abrigo, mas reconstruir vidas, restaurando bairros, criando empregos e ajudando comunidades a reencontrarem um caminho de volta à normalidade.

Um homem sem camisa está na porta de sua casa de telhado de zinco inundada em uma aldeia costeira nos Sundarbans, na Índia, cercada por águas de inundação causadas pela elevação do nível do mar e por ciclones.
Ocean Image Bank/Dipayan Bose Um homem está na porta de sua casa inundada, de telhado de zinco, em uma vila costeira na Índia

Choques climáticos

Outra linha de debate será a crise climática como um dos principais motores da crise habitacional global. Eventos climáticos extremos, incluindo enchentes, tempestades e incêndios florestais, deslocaram mais de 20 milhões de pessoas somente em 2023. 

Estimativas apontam que as mudanças climáticas poderão destruir 167 milhões de casas em todo o mundo até 2040.

Ao mesmo tempo, os edifícios continuam sendo uma das maiores fontes de emissões: o setor da construção responde por 34% das emissões globais de CO2 relacionadas à energia. 

O fórum buscará, portanto, responder a duas questões interligadas: como construir mais moradias sem agravar ainda mais a crise climática.

Rossbach lembrou que todas as decisões ligadas à construção têm consequências para os recursos naturais, para a resiliência climática e para a capacidade das comunidades resistirem a choques e desastres.

Nova Agenda Urbana completa 10 anos

Ela disse que espera ver uma comunidade forte e diversa reunida em Baku e sair concluir o fórum com uma coalizão global mais robusta para enfrentar a crise habitacional.

O fórum em Baku também marca um importante momento político. Este ano marca uma década da adoção da Nova Agenda Urbana, aprovada em 2016.

Além disso, em julho, a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, realizará uma revisão de médio prazo da Agenda. As discussões em Baku devem ajudar a avaliar até que ponto o mundo avançou na construção de cidades mais sustentáveis, seguras e acessíveis.

Sobre o Fórum Urbano Mundial

O Fórum Urbano Mundial foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 2001 e é organizado pela ONU-Habitat. Realizado a cada dois anos, é considerado a principal conferência internacional dedicada à urbanização sustentável e ao futuro das cidades.

O evento reúne governos, urbanistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e representantes do setor privado para examinar como o rápido crescimento urbano está afetando comunidades, economias, infraestrutura e o clima. 

Desde sua primeira edição, em Nairóbi, em 2002, o encontro já foi sediado por cidades em diferentes partes do globo. 

*Com reportagem de Nargiz Shekinskaya, enviada especial da ONU News a Baku