Perspectiva Global Reportagens Humanas

Mundo não está preparado para eventual “Pandemia Digital”, alerta ONU BR

Silhuetas de passageiros caminham ao longo de uma plataforma de trem pouco iluminada, suas figuras em destaque contra as janelas iluminadas de um trem.
© UNICEF/UNI938543/Oleksii Filippov. Todos os direitos reservados. Passageiros se deslocam por uma estação ferroviária durante um apagão, evidenciando como as interrupções no fornecimento de eletricidade podem afetar rapidamente o transporte, as comunicações e a vida cotidiana.

Mundo não está preparado para eventual “Pandemia Digital”, alerta ONU

Legislação e prevenção de crimes

Cenário de colapso digital inviabilizaria sistemas de saúde, mercados financeiros e serviços públicos essenciais para a população global; agências pedem medidas para evitar catástrofe digital.

Um relatório da ONU alerta para um cenário de sequência de falhas nas infraestruturas digitais, cujas “distúrbios em cascata” interromperiam o funcionamento de setores e serviços essenciais para a população global.

Publicado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes, Undrr, pela União Internacional das Telecomunicações, UIT, em conjunto com a universidade Sciences Po Paris, o documento descreve um cenário plausível de “pandemia digital”.

Falhas digitais em cascata

Segundo o estudo, vários cenários de propagação em cascata de falhas nos sistemas digitais, provocadas por tempestades solares, ondas de calor ou danos em cabos submarinos.

Entre os impactos previstos contam-se irregularidades generalizadas nas redes elétricas, sobrecarga dos centros de dados e o isolamento digital de regiões inteiras durante semanas.

O relatório indica que até 89% das interrupções digitais não resultam do choque inicial, mas sim de efeitos em cadeia entre sistemas. Por sua vez, o número de pessoas afetadas por esses efeitos pode ser até 10 vezes superior ao total de pessoas inicialmente expostas ao incidente original.

Um trabalhador com um colete de alta visibilidade e chapéu direciona a implantação de um grande cabo submarino de um navio em um porto de Porto, Portugal, durante a Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos de 2026.
Cortesia da ASN Um operário coordena a instalação de um grande cabo submarino a partir de um navio no porto do Porto, Portugal, durante a Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos de 2026

Interdependência digital e geográfica

No cerne destes riscos, o relatório identifica a densa rede de interdependências entre infraestruturas como redes elétricas, cabos submarinos, satélites e centros de dados, que constituem a base dos sistemas digitais globais.

Ao mesmo tempo, existe a interdependência geográfica entre os seus utilizadores, contabilizando-se 5,5 bilhões de pessoas que utilizam a internet, numa rede de infraestruturas digitais que se estende aos quatro cantos do planeta.

Esta intensa interligação mundial apresenta vantagens evidentes, mas também comporta grandes riscos, avisa o relatório.

Reforço de capacidades

O documento indica que os países não dispõem das medidas necessárias para enfrentar as falhas digitais em grande escala, quer intencionais – como cortes de eletricidade ou ruturas de cabos submarinos –, quer não intencionais – causadas por catástrofes naturais ou falhas internas.

De acordo com a ONU, a gravidade e a iminência destes impactos exigem uma resposta concertada e coletiva entre os Estados e instituições responsáveis.

O estudo revela a necessidade de reforçar normas internacionais, de manter capacidades de intervenção analógicas e de melhorar a coordenação e a interoperabilidade dos sistemas digitais.

Segundo o documento, o risco de uma catástrofe digital não é uma questão de 'se', mas de 'quando'.