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Uma vista panorâmica do estádio retangular vazio de Melbourne (AAMI Park), mostrando o campo verde e as arquibancadas sob uma moderna estrutura de telhado.

Américas tem que ampliar vacinação contra sarampo antes da Copa BR

FIFA Canadá soa o alarme para quem planeja viajar para acompanhar as seleções

Américas tem que ampliar vacinação contra sarampo antes da Copa

Por Eleutério Guevane*
Cultura e educação

Contaminação tem risco de se espalhar por movimento de viajantes e torcedores do Campeonato Mundial de Futebol; Opas quer melhorar imunização e vigilância epidemiológica.

A contagem regressiva para a maior festa do futebol mundial já começou, mas o sarampo é um adversário perigoso e extremamente ágil arriscando romper a linha defensiva dos países-sede. 

Enquanto torcedores de todo o planeta se preparam para colorir os estádios do Canadá, Estados Unidos e México, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, enfatiza a ameaça do sarampo que voltou a circular com força na região.

Cartão vermelho

Falando à ONU News, de Washington, Jarbas Barbosa avisou que o “cartão vermelho” da saúde já foi aplicado em uma das sedes do torneio.

Uma enfermeira etíope prepara uma vacina contra o sarampo em uma seringa para uma campanha de vacinação em Adis Abeba.
Unicef/Nahom Tesfaye Opas reforça que o ideal é atingir 95% de cobertura vacinal em cada bairro, cidade e estado de forma homogênea

“É muito difícil conseguir a eliminação do sarampo. Nas Américas, nós fomos a única região que já conseguiu ser certificada livre de sarampo. Perdemos esse certificado em 2019, voltamos a recuperá-lo em 2024 e agora perdemos de novo porque nós temos um país da região que é o Canadá, que já foi avaliado e já foi constatado que ele perdeu o seu certificado, porque não conseguiu interromper a transmissão durante um período igual a ou maior do que 12 meses com a mesma cadeia de transmissão.”

Vigilância constante 

Com o resultado desfavorável, o Canadá soa o alarme para quem planeja viajar para acompanhar as seleções. Um infectado pode passar o vírus para até 18 pessoas, o risco real de um “efeito dominó” nas arquibancadas.

Mas a ameaça não para na fronteira canadense. Estados Unidos e México também enfrentam surtos em curso, transformando a região em um campo de batalha epidemiológico. Para Jarbas Barbosa, a vigilância precisa ser muito rigorosa.

“Nós temos outros países da região com transmissão em curso, como Estados Unidos, México, também temos uma preocupação com Bolívia e Guatemala. Nós estamos apoiando os países a responder a essa situação porque é muito importante que se mantenha a região livre de sarampo. A melhor maneira de proteger contra o sarampo é com uma cobertura de vacinação alta e homogênea. A segunda atividade importante é ter uma vigilância epidemiológica muito ativa, porque como há muita transmissão de sarampo na Europa, na Ásia, na África, em outras regiões do mundo, sempre nós vamos receber nas Américas casos importados, viajantes que põem turismo ou negócios das Américas que vão para essas regiões ou dessas regiões que vêm para as Américas, um deles pode vir com o vírus do sarampo.”

Fluxo de turistas

Com receio de entrada de casos importando com o fluxo de turistas em massa durante o mundial e que o vírus viaje e desembarca com os torcedores, buscando qualquer brecha em populações que não estejam com o esquema vacinal em dia.

A estratégia para vencer esse jogo e garantir que a Copa de 2026 seja lembrada apenas pelos gols inclui defesa total através da vacinação. 

A Opas reforça que o ideal é atingir 95% de cobertura vacinal em cada bairro, cidade e estado de forma homogênea. Sem essa barreira protetora, um simples caso importado pode se transformar em um surto descontrolado.  

O recado para os apaixonados por futebol é para que garantam o seu lugar na arquibancada e protejam a saúde de todos, sendo que a vacina é o reforço obrigatório que precisa entrar em campo agora.

Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.