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Sem investimentos, 4 milhões de sudaneses que voltam ao país correm risco BR

Retrato de mulheres e crianças sudanesas em um local de distribuição de uma cozinha comunitária da Save the Children no acampamento Daba Naira, em Tawila, Darfur do Norte, Sudão.
© Unocha/Giles Clarke Mulheres e crianças sudanesas deslocadas fazem fila para receber alimentos em um local de distribuição de uma cozinha comunitária da Save the Children no acampamento Daba Naira, em Tawila.

Sem investimentos, 4 milhões de sudaneses que voltam ao país correm risco

Migrantes e refugiados

ONU alerta para situação de retorno voluntário a diversas regiões do país na esperança de reconstrução após meses de conflito; para agência da ONU, destruição da infraestrutura coloca pressão sobre serviços essenciais à população deslocada pela violência.

Uma agência das Nações Unidas está alertando para o risco que cerca de 4 milhões de sudaneses correm ao voltar voluntariamente para casa na esperança de reconstruir após meses de confrontos e combates.

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, sem investimentos e recursos para restaurar, reconstruir infraestrutura e revitalizar os meios de subsistência, os civis não têm como obter serviços essenciais.

Quase 9 milhões ainda deslocados

A OIM ressalta que os retornos dos sudaneses têm ocorrido especialmente na região de Aj Jazirah e na capital Cartum. Muitas pessoas escolhem essas áreas por causa da melhoria da segurança, pressões econômicas, reunificação familiar e outros fatores. Mesmo assim, muitas pessoas estão voltando para casa em locais ainda afetados pelo conflito e pelo colapso. 

Em Tawila, no Sudão, pessoas deslocadas, incluindo mulheres e crianças, sentam-se no chão enquanto um parceiro do ACNUR distribui lonas plásticas para servirem de abrigo.
© Acnur/Mohammed Jalal Pessoas que fugiram dos combates em El Fasher e arredores aguardam assistência em Tawila, no estado de Darfur do Norte, no Sudão

Em todo o Sudão, quase 12 milhões de pessoas fugiram de áreas fortemente afetadas pelos combates entre tropas do governo e paramilitares da Força de Apoio Rápido, RSF. Dentre as áreas afetadas Aj Jazirah, Cartum e partes de Sennar e Cordofão, buscando segurança em outras regiões.

Atualmente, o Sudão tem quase 9 milhões de pessoas deslocadas internamente.

Plano de resposta subfinanciado

O fluxo de deslocados também coloca pressão constante sobre os serviços e recursos nas comunidades de acolhimento. Os sistemas de saúde, a infraestrutura hídrica, os serviços de proteção e as oportunidades de subsistência continuam sobrecarregados. 

O deslocamento e o retorno não são dinâmicas separadas, mas realidades profundamente interligadas que exigem respostas coordenadas em todas as regiões.

O Plano de Resposta à Crise da OIM Sudão para 2026 segue subfinanciado em 97,2 milhões de dólares, e com mais de 2 milhões de pessoas previstas para retornar voluntariamente a Cartum somente este ano, o trabalho para estabilizar as áreas de retorno no Sudão está apenas começando.