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Relatores da ONU pedem justiça para vítimas de tráfico no caso Epstein BR

Uma figura em silhueta fica atrás de uma porta de vidro fosco com lâminas horizontais, enquanto uma pessoa no primeiro plano a filma.
IOM A maioria dos casos de tráfico de pessoas para exploração sexual envolve mulheres

Relatores da ONU pedem justiça para vítimas de tráfico no caso Epstein

Direitos humanos

Especialistas em direitos humanos enfatizam violência dos “sistemas de poder patriarcais”; eles apontam falhas na repressão ao tráfico sistêmico de mulheres e meninas e defendem medidas de reparação para sobreviventes. 

Relatores independentes da ONU* pediram justiça e responsabilização pelas alegações de tráfico de mulheres que emergem dos "arquivos Epstein". 

O conjunto de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam atividades criminosas do empresário Jeffrey Epstein, que foi condenado por crimes sexuais e se suicidou na prisão em 2019. 

Tráfico de mulheres através de múltiplas fronteiras 

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, um grupo de seis especialistas da ONU alerta que as revelações expõem a violência contínua dos “sistemas de poder patriarcais”. 

A nota expressa grave preocupação com alegações sobre o tráfico sistêmico de mulheres e meninas para fins de exploração sexual.

As investigações em torno dos “arquivos Epstein” implicam políticos de alto escalão, figuras públicas, diplomatas, líderes empresariais globais e acadêmicos de renome. 

O grupo de relatores ressalta que os documentos contêm “provas chocantes” do tráfico de mulheres através de múltiplas fronteiras internacionais, ao longo de décadas.

O comunicado sublinha ainda “falhas graves” na prevenção, identificação, assistência e proteção das vítimas e sobreviventes, e na investigação e repressão dos autores.

Siobhán Mullally fala em um pódio durante uma reunião da Assembleia Geral da ONU sobre o combate ao tráfico de pessoas em Nova York.
UN Photo/Eskinder Debebe A relatora especial sobre o Tráfico de Pessoas, Siobhán Mullally

Redução da atenção internacional

O tráfico de crianças e mulheres é um crime grave e uma violação profunda dos direitos humanos defendem os relatores da ONU.

O grupo declara estar profundamente preocupado com o fato de a resposta das autoridades ter sido “totalmente inadequada e desproporcional à urgência e à gravidade dos crimes alegados, e ao sofrimento das vítimas”.

Em meio à redução da atenção internacional com o caso Epstein, eles pediram que os países cumpram a obrigação de garantir o acesso efetivo à justiça para vítimas e sobreviventes.

Isso inclui assistência médica, serviços de saúde reprodutiva e sexual, apoio psicossocial e medidas de indenização, inclusão social e recuperação a longo prazo.

A nota foi assinada pela relatora especial sobre o tráfico de pessoas, Siobhán Mullally, e pelas cinco integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Discriminação Contra Mulheres e Meninas: Claudia Flores, Ivana Krstic, Dorothy Estrada Tanck, Haina Lu e Laura Nyirinkindi.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho