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Colômbia: ONU quer ação urgente para acabar com violência a defensores de direitos humanos BR

Vista de trás de uma multidão de pessoas, incluindo uma jovem com uma mochila, em fila para se abrigar no Estádio General Santander em Cúcuta.
ACNUR / Mónica Peñaranda Deslocados pela violência na Colômbia

Colômbia: ONU quer ação urgente para acabar com violência a defensores de direitos humanos

Paz e segurança

Relatório indica que 100 pessoas são mortas anualmente tornando o país um dos lugares mais letais para um ativista viver; os padrões de tendência de homicídios, ameaças e ataques mostram que violência é realidade persistência.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU na Colômbia documentou 972 assassinatos de defensores de direitos humanos entre 2016 e 2025. Os dados são de um relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, na Suíça. 

Especialistas afirmam que os padrões e tendência de homicídios na Colômbia com ameaças, ataques, deslocamentos forçados e violência a ativistas mostram que os casos não são isolados, mas uma realidade persistente e ligada a causas estruturais.

“É preciso fazer mais”

Em média, 100 ativistas são assassinados todos os anos no país, fazendo da Colômbia um dos locais mais letais para ativistas em todo o mundo.

Segundo o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, esta é uma realidade de partir o coração. Ele destaca que o governo implementou várias medidas importantes para enfrentar a violência aos defensores, mesmo assim é preciso fazer mais.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, discursa em um pódio durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra.
UN Human Rights Council/Marie Bambi

O relatório reconhece passos dados pelas autoridades da Colômbia como o lançamento de um diálogo de alto nível com organizações da sociedade civil adotando ações imediatas e de prevenção em situações de urgência. Elas também cooperam com o Escritório da ONU sobre o tema no país.

Prioridade de Estado

Turk afirma que o país está num ponto de virada e que se não houver medidas efetivas para tornar o enfrentamento da violência uma prioridade de Estado, a violência contra os ativistas de direitos humanos seguirá existindo no país.

Em 2016, o Governo da Colômbia firmou um Acordo de Paz com rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc-EP, para acabar com a violência no país.

Vista aérea da paisagem urbana de Bogotá, Colômbia, com arranha-céus modernos, uma ampla avenida com tráfego e montanhas ao fundo sob um céu parcialmente nublado.
© Gabinete do Prefeito de Bogotá/Cristia Bogotá, capital da Colômbia

Mas segundo o relatório, apresentado à ONU, o número de assassinatos de defensores de direitos humanos tem aumentado gradativamente. Esta é uma tendência ligada a conflitos incluindo atores não-armados em áreas antes controladas pelas Farc-EP, e onde o Estado tem tido dificuldade para estabelecer uma presença constante.

Indígenas e camponeses

O documento aponta que os ativistas estão sendo alvejados por criminosos com ligações ao tráfico de drogas, mineração ilegal, extração ilegal de madeira e tráfico humano.

Essas áreas da Colômbia ainda sofrem com altos níveis de impunidade, instituições fracas e corrupção que contribuem para a violência.

O relatório oferece detalhes sobre eventos que ocorreram entre 1 de janeiro de 2022 e 31 de dezembro de 2025 quando 410 defensores de direitos humanos foram assassinados. Cerca de 23% das vítimas eram indígenas. Afrodescendentes, camponeses, mulheres ativistas e pessoas com orientações sexuais diversas também foram alvos dos criminosos.

Mais de 70% dos autores dos crimes foram avaliados como atores armados não-estatais.