Agências da ONU lançam iniciativas contra calor extremo no Sul da Ásia
Propostas regionais visam ligar ciência climática à ação em saúde com o objetivo de prevenir impactos e salvar vinda; na Índia e no Paquistão, as temperaturas pré-monção ultrapassam regularmente os 50°C.
Durante a Semana do Clima de Mumbai, na Índia, duas agências das Nações Unidas lançaram iniciativas para enfrentar calor extremo no Sul da Ásia.
As propostas da Organização Mundial da Saúde, OMS, e da Organização Meteorológica Mundial, OMM, destacaram esforços integrados para proteger as pessoas da região contra o calor extremo, descrito como uma ameaça crescente à saúde humana e à economia.
Novo Gabinete Clima–Saúde para o Sul da Ásia
Ambas as iniciativas são financiadas pela Fundação Rockefeller e pela Wellcome e integram o Programa Conjunto OMS-OMM sobre Clima e Saúde.
Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, poucas regiões sentem os impactos do calor extremo de forma tão intensa como o Sul da Ásia.
Uma das iniciativas é o South Asia Climate–Health Desk, estabelecido no âmbito do Programa Conjunto OMS-OMM e implementado em parceria com o Instituto Indiano de Meteorologia Tropical e o Departamento de Meteorologia do país além de outros parceiros.
O novo gabinete pretende melhorar a tradução de informação climática e meteorológica em ações concretas para proteger a saúde pública.
Esta é uma das primeiras unidades do programa conjunto a integrar investigação, desenvolvimento e operações em clima e saúde, desenvolvendo ferramentas de apoio à decisão, incluindo sistemas de alerta precoce e avaliações de risco.
Consórcio científico para aprofundar conhecimento
A segunda iniciativa é o Consórcio de Pesquisa Científica do Sul da Ásia que ajudará a aprofundar o entendimento científico sobre os impactos do calor em diferentes populações.
Entre os objetivos está o desenvolvimento de limiares de risco de calor adaptados à realidade regional, com vista a reforçar planos de ação, sistemas de alerta precoce e medidas de preparação, ajudando comunidades e instituições a adaptar-se ao aumento das temperaturas.
Impacto crescente na saúde e economia
Segundo a OMM, a Ásia está a aquecer quase duas vezes mais rápido do que a média global, intensificando fenómenos meteorológicos extremos e pressionando sistemas de saúde, economias e ecossistemas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou a uma ação global urgente para enfrentar o risco crescente do calor extremo.
Na Índia e no Paquistão, as temperaturas pré-monção ultrapassam regularmente os 50°C. A letalidade associada com o calor na região excede atualmente 200 mil mortes por ano.
Perdas de bilhões
Em 2024, a exposição ao calor na Índia resultou na perda potencial de 247 bilhões de horas de trabalho, com uma estimativa de US$ 194 bilhões em perdas de rendimento, de acordo com dados citados no anúncio.
Mrutyunjay Mohapatra, diretor-geral de Meteorologia do IMD representante da Índia na OMM, afirmou que a parceria com o Iitm reforçará a ligação entre ciência e serviços, melhorando o apoio em alertas precoces para a saúde e permitindo decisões atempadas para proteger comunidades durante eventos de calor severo.
Investimento para ação integrada em clima e saúde
As duas iniciativas fazem parte de uma estratégia regional mais ampla para enfrentar riscos do calor extremo.
A Fundação Rockefeller e a Wellcome anunciaram um investimento de 11,5 milhões de dólares no Programa Conjunto OMS-OMM sobre Clima e Saúde, com o objetivo de expandir ações de saúde informadas pelo clima em regiões vulneráveis.
O financiamento visa promover novos modelos de colaboração entre parceiros da saúde e departamentos meteorológicos, colmatando lacunas que deixam sistemas de saúde sem informação climática crítica para proteger comunidades.
Representantes das fundações destacaram a necessidade de soluções baseadas em ciência para reduzir emissões, reforçar a resiliência e integrar a saúde pública no centro da tomada de decisões.
Com a implementação destas iniciativas, o sul da Ásia é apontado como uma das regiões pioneiras na aplicação de uma abordagem integrada que conecta investigação científica, monitorização e previsão climática, e respostas em saúde para mitigar riscos associados à variabilidade e às alterações climáticas.