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Quinteto apela ao fim imediato da escalada do conflito no Sudão

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© OIM/Muse Mohammed
O Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo. Mesmo com os retornos, mais de nove milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no país

Quinteto apela ao fim imediato da escalada do conflito no Sudão

Paz e segurança

União Africana, Igad, Liga dos Estados Árabes, União Europeia e Nações Unidas manifestaram “grave preocupação” com a escalada contínua do conflito no Sudão; apelo é pelo fim imediato de novas ações militares e defendendo uma trégua humanitária com a aproximação do Ramadã.

Em declaração divulgada esta quarta-feira, o Quinteto composto pela União Africana, Igad, Liga dos Estados Árabes, União Europeia e Nações Unidas alertou para o impacto crescente da guerra sobre a população civil do Sudão.

O grupo condenou o uso de meios de combate cada vez mais destrutivos, afirmando que estes estão a causar “danos devastadores” às comunidades afetadas.

Ataques e cercos em Kordofan e no Estado do Nilo Azul

O comunicado sublinhou que a situação no terreno se está a agravar rapidamente e pediu esforços coordenados para travar a violência, proteger civis e permitir o acesso seguro e sem obstáculos da ajuda humanitária.

O Quinteto afirmou estar particularmente alarmado com o rápido agravamento das condições enfrentadas pela população civil na região de Kordofan e no Estado do Nilo Azul.

Vários relatos são conta de ataques com drones, cercos cada vez mais apertados em centros populacionais e agressões contra infraestruturas essenciais.

Mulheres caminham por uma trilha em Kordofan do Sul, Sudão
© UNICEF/Adriana Zehbrauskas
Mulheres caminham por uma trilha em Kordofan do Sul, Sudão

El Fasher e alerta para risco de novas atrocidades

A declaração cita ataques que afetam hospitais, escolas e recursos de auxílio, bem como deslocamentos forçados e restrições severas ao acesso humanitário, incluindo ameaças a corredores de abastecimento e ataques contra comboios de ajuda.

Ao recordar os acontecimentos registrados em El Fasher, o Quinteto afirmou que já tinham sido emitidos avisos repetidos antes das atrocidades que ali ocorreram, mas que esses alertas “não foram ouvidos”. O resultado foram consequências arrasadoras para civis.

O grupo insistiu que a população civil não pode continuar a suportar o custo dos confrontos em curso e defendeu a necessidade de ação imediata para prevenir novas violações graves.

Obrigações legais e responsabilização por violações

O comunicado reforça que a proteção de civis, instalações civis e infraestruturas nacionais críticas constitui uma obrigação fundamental ao abrigo do direito internacional.

O grupo destaca que o direito internacional humanitário se aplica a todas as partes envolvidas no conflito.

O Quinteto afirmou ainda que civis e infraestruturas da população devem ser protegidos, e que o acesso humanitário seguro, rápido e sem impedimentos deve ser garantido em todas as áreas necessitadas.

O grupo sublinha ainda que violações graves do direito internacional humanitário não podem ficar sem resposta e que os responsáveis devem ser responsabilizados.

Um amplo campo de refugiados em Tawila, Darfur, Sudão, onde quase 89.000 pessoas deslocadas fugiram de El Fasher. A ONU e ONGs fornecem ajuda, incluindo alimentos, água, cuidados de saúde e apoio psicosocial.
Milhares de pessoas fugiram de El Fasher e arredores, muitas chegando à localidade de Tawila após caminharem por dias sob a ameaça de violência

Apelo trégua humanitária antes do Ramadã

Com a aproximação do mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos, o Quinteto apelou para que todas as partes aproveitem a oportunidade criada pelos esforços em curso para negociar uma trégua humanitária.

Outra sugestão é para que haja uma desescalada imediata dos combates, com o objetivo de evitar mais mortes e permitir assistência vital.

A declaração revela que tal trégua deve seguir condições claramente definidas e ser compatível com o direito internacional, o direito internacional humanitário, compromissos existentes e decisões relevantes do Conselho de Segurança, incluindo a resolução 2736.

Compromisso com a soberania

O grupo acrescenta que uma trégua deste tipo poderá representar um passo importante para uma cessação mais ampla dos combates.

O Quinteto reiterou ainda o compromisso com a soberania, unidade, independência e integridade territorial do Sudão.

As cinco entidades afirmaram manter o objetivo de facilitar um diálogo político inclusivo, liderado por sudaneses, com vista a pôr fim à guerra e lançar as bases para uma transição política pacífica.