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Declaração pede proteção das crianças frente à perigos da IA no ambiente digital BR

Uma jovem de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo está sentada em uma cama em um quarto, usando um computador portátil enquanto escreve em um caderno.
Unicef/Tomislav Georgiev Uma menina de dez anos estuda online durante o período de confinamento em Skopje, República da Macedônia do Norte

Declaração pede proteção das crianças frente à perigos da IA no ambiente digital

Cultura e educação

Mais de 10 instituições ligadas à ONU e dezenas de organizações da sociedade civil fazem recomendações para impedir que inteligência artificial gere conteúdos prejudiciais aos menores; preocupações incluem cyberbullying, discurso de ódio, exploração sexual, deepfakes e estímulo a uso de drogas. 

Ferramentas e aplicações de inteligência artificial, IA, não estão sendo projetadas de modo a proteger as crianças e seu bem-estar. Por isso, um conjunto de mais de 10 instituições da ONU e dezenas de organizações da sociedade civil divulgaram uma declaração conjunta com uma série de recomendações.

O documento ressalta que as empresas de tecnologia tem a responsabilidade de respeitar os direitos da criança, “para alcançar melhores resultados para este grupo no ambiente digital”.

Auditorias e classificadores de conteúdo

Dentre as propostas apresentadas está a realização de auditorias regulares dentro das empresas que desenvolvem produtos com IA, para impedir impactos negativos no público menor de 18 anos. Outra sugestão é a implementação de classificadores para conteúdo prejudicial. 

O objetivo é prevenir e combater todas as formas de violência contra crianças e exploração infantil cometidas por meio de sistemas, ferramentas e plataformas de inteligência artificial ou com o seu apoio. 

As medidas incluem conter a violência física, sexual e psicológica, cyberbullying, exposição a conteúdo prejudicial e exploração. 

Mãos de uma pessoa segurando um smartphone Poco X3 Pro, jogando Crash Bandicoot. Um teclado é visível sobre a mesa ao fundo.
Unsplash/Onur Binay Um jovem joga o famoso jogo para celular Crash Bandicoot em seu smartphone

Narrativas prejudiciais amplificadas por algoritmos

Além disso, o documento destaca a preocupação com conteúdos gerados por IA que propagam discurso de ódio, incitam a violência ou promove trabalho infantil, tráfico de crianças e recrutamento de menores para conflitos armados. 

O conteúdo prejudicial pode incluir ainda deepfakes e outras mídias enganosas, material gráfico violento, conteúdo de abuso sexual infantil e mensagens que promovam automutilação, transtornos alimentares, uso de drogas, jogos de azar ou outras narrativas prejudiciais amplificadas por algoritmos.

A declaração afirma que qualquer medida para proteger as crianças da exposição a conteúdos que possam prejudicar a saúde mental ou física, deve estar em conformidade com as condições para a restrição do direito à liberdade de expressão.

Capacitações para acompanhar a rápida evolução da IA

O texto apela aos Estados para que combatam violações dos direitos da criança no contexto da inteligência artificial, dentro do seu território e/ou jurisdição, inclusive responsabilizando as empresas. 

As entidades que firmam a declaração também esperam que os parlamentos utilizem suas prerrogativas legislativas, orçamentárias de fiscalização e de relações públicas para promover e proteger os direitos da criança no contexto da inteligência artificial.

Para garantir que o uso da nova tecnologia esteja alinhado com a Convenção sobre os Direitos da Criança, o documento sugere mais treinamento para crianças, professores, pais, cuidadores e governos.

As capacitações ajudariam as diversas partes interessadas a acompanhar a rápida evolução da tecnologia, abordando temas como estruturas de IA, métodos de proteção de dados e avaliações de impacto nos direitos da criança.