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Líbano vive em segurança alimentar ainda frágil apesar de sinais de alívio BR

Uma mulher de uniforme branco e touca de cabelo aponta para uma tigela de maçãs em um ambiente de produção de alimentos.
Pnud Líbano Situação da segurança alimentar no Líbano continua altamente dependente

Líbano vive em segurança alimentar ainda frágil apesar de sinais de alívio

Ajuda humanitária

Cerca de 17% da população libanesa continua a enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar, mesmo após alguma estabilização recente; constatação é da análise atual da Classificação Integrada da Segurança Alimentar.

Uma nova análise da Classificação Integrada da Segurança Alimentar, IPC, revela que a insegurança alimentar no Líbano continua frágil e altamente sensível a choques, à medida que o país entra em 2026. 

A avaliação cobrindo o período de novembro de 2025 a julho de 2026, teve auxílio técnico da Unidade Global de Apoio da IPC. O estudo envolveu o Ministério da Agricultura do Líbano, a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, FAO, e o Programa Alimentar Mundial, WFP.

Situação atual da insegurança alimentar

O relatório revela que cerca de 874 mil pessoas, ou 17% da população analisada, enfrentam níveis de Crise, fase 3 da IPC, ou Emergência, fase 4, de insegurança alimentar aguda entre novembro de 2025 e março de 2026. 

Estação de bombeamento de água danificada em Tiro, Líbano, com escombros, canos azuis e funcionários da Unicef avaliando o local.
© Unicef/Fouad Choufany Danos em sistemas de irrigação e secas recorrentes continuam a limitar a produção

Embora estes números indiquem uma relativa estabilização em comparação com períodos anteriores, a análise conclui que não há sinais de uma recuperação sustentada. Muitos agregados familiares permanecem próximos de limiares críticos.

A insegurança alimentar afeta de forma mais severa determinados distritos, incluindo Baalbek e El Hermel, Akkar, Baabda, Zahle, Saida, Bent Jbeil, Marjayoun, El Nabatieh e Tiro, bem como comunidades refugiadas. 

Pela primeira vez, a avaliação inclui também pessoas que chegaram da Síria após dezembro de 2024, refletindo novas dinâmicas de deslocamento.

Projeções para 2026 e fatores de risco

As projeções da IPC para o período de abril a julho de 2026 indicam que o pessoas em situação de insegurança alimentar aguda poderão aumentar para cerca de 961 mil, o equivalente a 18% da população analisada. 

Esta piora prevista está associada sobretudo à antecipada redução da assistência alimentar humanitária, bem como a pressões persistentes da economia, alto custo de vida, recuperação lenta dos meios de subsistência, deslocamentos contínuos e atrasos na reconstrução de infraestruturas.

Desafios no setor agrícola

A análise destaca ainda a recuperação lenta e desigual dos meios de subsistência agrícolas. 

Danos em sistemas de irrigação, estradas e instalações de armazenamento, custos elevados de insumos e secas recorrentes continuam a limitar a produção, especialmente nas regiões do Vale do Bekaa e do sul do país. 

Estes desafios foram agravados por uma estação excecionalmente seca em 2024–2025, que reduziu a disponibilidade de água para culturas essenciais.

Reações das autoridades e agências da ONU

O ministro libanês da Agricultura, Nizar Hani, afirmou que os resultados demonstram claramente a dimensão dos desafios ainda existentes para a segurança alimentar no Líbano. Ele sublinhou a necessidade de reforçar a resiliência das famílias e a capacidade dos agricultores. 

Para os representantes do WFP e da FAO, apesar de uma ligeira melhoria em relação à avaliação anterior, as necessidades continuam altas e o apoio previsível segue essencial para evitar novo agravamento ao longo de 2026.

Mais de um ano após o cessar-fogo de novembro de 2024, o relatório conclui que a situação da segurança alimentar no Líbano continua altamente dependente.

O estudo aponta fatores como evolução do contexto da economia e de segurança,  recursos humanitários em diminuição e vulnerabilidades persistentes em todo o país.