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Níger enfrenta piora da desnutrição aguda infantil BR

© WFP Niger
Nível de gravidade permanece alarmante em várias regiões

Níger enfrenta piora da desnutrição aguda infantil

Ajuda humanitária

Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos enfrentam ou estão em risco; baixa diversidade alimentar e acesso limitado a serviços de saúde e nutrição agravam a situação; apesar do progresso, refugiados e deslocados continuam entre os mais vulneráveis.

Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos enfrentam ou correm o risco de sofrer de desnutrição aguda em Níger até julho.  Deste número, mais de 410 mil devem enfrentar desnutrição aguda severa em intervalo de um ano.

Embora a situação nutricional do país apresente alguns sinais de melhora, em comparação com o ano anterior, o nível de gravidade permanece alarmante em várias regiões. 

Regiões críticas e evolução projetada da crise

A análise realça que além do número elevado de crianças, cerca de 306 mil mulheres grávidas e lactantes também deverão sofrer de desnutrição aguda, aumentando os riscos para mães e recém-nascidos.

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© WFP/Simon Pierre Diouf
Crise nutricional no Níger é resultado de uma combinação de fatores estruturais e humanitários.

Durante o pico da desnutrição, entre agosto e novembro de 2025, toda a região de Diffa, os departamentos de Bermo e Tessoua em Maradi e áreas de refugiados em Agadez, Diffa e Maradi foram classificados como situações de emergência. Trata-se da Fase 4 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar e Nutricional, IPC.

A situação tende a melhorar, parcialmente, entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Nesse período espera-se a redução de casos de diarreia e malária e que haja maior disponibilidade de alimentos. 

Espera-se que algumas áreas passem da Fase 3, crise, para a Fase 2 de alerta, e outras devem regredir da Fase 4 para a Fase 3.

Fatores que impulsionam a desnutrição

Com o início da estação chuvosa e do período de escassez alimentar, entre maio e julho de 2026, as condições devem deteriorar-se novamente. As projeções indicam 33 áreas na Fase 3 e 10 áreas na Fase 4, estando a região de Diffa, o departamento de Say e duas áreas de refugiados em risco de agravamento.

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© Acnur/Insa Wawa Diatta
Práticas inadequadas de alimentação infantil contribuem para os altos níveis de desnutrição

A crise nutricional no Níger é resultado de uma combinação de fatores estruturais e humanitários. Entre os principais estão o baixo consumo alimentar e a falta de diversidade na dieta das crianças, o que compromete o crescimento e o desenvolvimento infantil.

Doenças como malária, infeções respiratórias, febre e diarreia continuam amplamente disseminadas, agravadas por condições precárias de água, saneamento e higiene. O acesso limitado à água potável e a elevada taxa de defecação a céu aberto aumentam o risco de infeções.

Práticas alimentares inadequadas e a insegurança

Práticas inadequadas de alimentação infantil, incluindo uma baixa taxa de amamentação e interrupção precoce até os dois anos de idade, também contribuem para os altos níveis de desnutrição. 

A situação é agravada pela cobertura insuficiente de programas de tratamento da desnutrição aguda e pela fragilidade do sistema de saúde.

Além disso, inundações causadas por chuvas intensas e pelo transbordamento do rio Komadougou e dos seus afluentes também agravam o contexto humanitário, assim como a insegurança vivida, que continua a provocar deslocamentos populacionais.