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FMI avalia impacto da inteligência artificial na produtividade da Europa BR

Uma visão de perto dos racks de servidores em um centro de dados, com switches de rede, servidores e cabos de fibra óptica laranja.
© Unsplash/Kevin Ache Um rack de servidores em um data center

FMI avalia impacto da inteligência artificial na produtividade da Europa

Desenvolvimento econômico

Análise do órgão examina de que forma adoção da IA pode influenciar economias e crescimento da produtividade no continente, com efeitos distintos entre países.

Uma análise publicada no blog do Fundo Monetário Internacional, FMI, analisa o potencial impacto da inteligência artificial, IA, na produtividade económica europeia. 

O estudo avalia como diferenças na estrutura económica, nos níveis de rendimento e nos enquadramentos de políticas públicas podem influenciar a dimensão e a distribuição dos ganhos de produtividade na região.

Adoção da IA e efeitos de curto prazo 

De acordo com a análise, a adoção da IA está a ocorrer a um ritmo mais rápido do que o de tecnologias anteriores, como o computador pessoal ou a internet. 

Os efeitos na produtividade resultam de três fatores principais: o grau de exposição de setores e profissões à automação ou ao reforço de tarefas através da IA, os incentivos das empresas para adotar a tecnologia, em particular as poupanças potenciais em custos laborais, e os ganhos médios de produtividade entre profissões. 

O estudo indica que a exposição à IA é especialmente elevada em funções profissionais, de gestão e administrativas, incluindo áreas como finanças e desenvolvimento de software.

Impactos e salários

Sem reformas adicionais, os ganhos de produtividade no médio prazo decorrentes apenas da IA seriam limitados para a Europa no seu conjunto, estimando-se um aumento cumulativo de cerca de 1,1% ao longo de cinco anos. 

Os impactos variam entre países, sendo geralmente mais elevados nas economias de rendimento mais alto, que apresentam maior peso de serviços de colarinho branco e níveis salariais mais elevados. 

Em cenários mais otimistas, os ganhos poderiam atingir cerca de 5% em países como a Noruega, enquanto economias de rendimento mais baixo, como a Roménia, notificaram aumentos inferiores a 2%.

Um robô humanoide da Unitree Robotics está em um grande salão na Cúpula Global da Indústria da Unido de 2025 em Riade, cercado por participantes.
ONU News/Conor Lennon Um robô humanoide com inteligência artificial circula pelos corredores da Cúpula Global da Indústria da UNIDO de 2025 em Riade, Arábia Saudita

Potencial de longo prazo 

A análise sublinha que os efeitos da IA poderão ser mais expressivos no longo prazo, à medida que as capacidades dos modelos evoluem e surgem novas indústrias e cadeias de valor.

A IA poderá também contribuir para um crescimento mais sustentado da produtividade ao acelerar a investigação e o desenvolvimento, incluindo em áreas como o desenvolvimento de medicamentos. 

As estimativas referidas sugerem que os efeitos de longo prazo podem superar significativamente os ganhos de curto prazo, embora o impacto projetado para a Europa seja inferior ao observado para os Estados Unidos.

Áreas de política destacadas na análise

O estudo identifica várias áreas relevantes para potenciar ganhos de produtividade associados à IA. 

Entre elas estão o aprofundamento do mercado único da União Europeia para reduzir barreiras transfronteiriças, o reforço dos mercados financeiros para apoiar investimentos em ativos intangíveis, como software e propriedade intelectual, e a promoção da mobilidade laboral através de mercados de trabalho flexíveis e sistemas de proteção social portáteis. 

A análise refere ainda a importância de mercados energéticos eficientes e fiáveis para apoiar a infraestrutura da IA, bem como a necessidade de quadros regulatórios que abordem questões de proteção de dados, ética e segurança, mantendo espaço para o desenvolvimento tecnológico.

Perspectivas

A análise conclui que a dimensão dos ganhos de produtividade resultantes da inteligência artificial na Europa dependerá da interação entre a adoção da tecnologia, as estruturas económicas existentes e as opções de política pública. 

Os resultados, tanto no curto como no longo prazo, variam entre países e estão condicionados pelo grau de integração de mercado, pelas condições de investimento e pelas abordagens regulatórias.