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Países reafirmam futuro digital centrado nas pessoas e salvaguardas para IA

Apesar dos avanços em muitas frentes, muitas comunidades ao redor do mundo ainda não conseguem usufruir dos benefícios das tecnologias digitais
Apesar dos avanços em muitas frentes, muitas comunidades ao redor do mundo ainda não conseguem usufruir dos benefícios das tecnologias digitais

Países reafirmam futuro digital centrado nas pessoas e salvaguardas para IA

Por Vibhu Mishra*
Cultura e educação

Estados-membros comprometeram-se a reduzir desigualdades digitais e a reforçar governação da inteligência artificial, no encerramento de uma revisão de alto nível sobre o futuro da Internet e das tecnologias digitais.

A Assembleia Geral da ONU realizou uma reunião da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, Wsis+20, que foi um processo lançado no início dos anos 2000 para guiar a cooperação global no desenvolvimento digital, acesso e inclusão.

O encontro centrou-se nos desafios atuais da governação digital, sublinhando a necessidade de garantir que tecnologias como a inteligência artificial, IA, protejam direitos humanos e beneficiem todas as comunidades.

Importância da revisão Wsis+20

Lançado em 2003, quando a internet estava apenas começando a tornar-se uma parte essencial da vida cotidiana, o processo Wsis ajudou a orientar a cooperação global em torno das oportunidades e riscos das tecnologias de informação e comunicação.

Ao longo de mais de 20 anos, a iniciativa reuniu governos, setor privado, sociedade civil e especialistas técnicos, um modelo multilateral que continua a moldar a governação digital.

Na revisão atual, os participantes reconheceram que as tecnologias digitais passaram a influenciar profundamente a economia, a educação, a saúde e o dia a dia.

Uma visão geral da reunião da Assembleia Geral sobre a Implementação dos Resultados da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação
ONU/Eskinder Debebe
Uma visão geral da reunião da Assembleia Geral sobre a Implementação dos Resultados da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação

Desigualdades digitais persistentes

No encontro, desta quarta-feira, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock,  lembrou que embora dois terços da população mundial tenham acesso à internet, as disparidades permanecem, sobretudo em países em desenvolvimento.

Mulheres e meninas continuam desproporcionalmente excluídas. O acesso, por si só, não é suficiente. É preciso existir uma governança responsável das tecnologias emergentes, incluindo a IA.

Novas prioridades e compromissos

Os Estados-membros da ONU adotaram um documento sobre o compromisso com um futuro digital centrado nas pessoas, baseado nos direitos humanos e nos princípios da Carta das Nações Unidas.

O texto apela a investimentos acelerados em infraestruturas e competências digitais, ao reforço de parcerias internacionais e a uma governação fiável dos dados e da IA.

Participantes em uma reunião de alto nível da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, em Genebra, em 2016
ITU/I. Wood
Participantes em uma reunião de alto nível da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, em Genebra, em 2016

Pessoas no centro da transformação digital

A declaração inclui ainda planos para a criação de um Painel Científico Internacional Independente sobre IA e para o lançamento de um Diálogo Global sobre Governação da IA em 2026.

Ao longo do processo, foi reiterado que a construção do futuro digital exige a participação conjunta de governos, indústria, sociedade civil e comunidades tecnológicas.

A inovação digital deve responder às necessidades humanas, reconhecendo os progressos alcançados e a importância de manter o foco na inclusão e no desenvolvimento sustentável.