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Chefe de direitos humanos alerta para agravamento da situação na Venezuela BR

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, durante entrevista coletiva em Genebra.
UN Photo/Loey Felipe Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos

Chefe de direitos humanos alerta para agravamento da situação na Venezuela

Direitos humanos

Alto comissário da ONU diz que não houve melhorias desde junho; Volker Turk aponta restrições às liberdades fundamentais, detenções arbitrárias e um contexto cada vez mais crítico em níveis social e da economia.

O alto comissário do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, apresentou nesta terça-feira em Genebra uma atualização da situação na Venezuela.

Ele relatou um panorama marcado pelo estreitamento do espaço cívico, pelo aumento da repressão estatal e pela persistência de graves violações de direitos humanos. Mencionou também dificuldades crescentes para o trabalho de especialistas de sua equipe, que já não conta com pessoal internacional.

Restrições ao espaço cívico e repressão estatal

Segundo Turk, o governo venezuelano adotou, em setembro e novembro, legislação que lhe concede poderes de emergência alargados, alegando ameaças externas. O conteúdo dessas leis não foi tornado público, o que impede qualquer avaliação da sua conformidade com o direito internacional.

O alto comissário descreveu um ambiente de crescente militarização da vida pública, com relatos de alistamento coercivo na milícia bolivariana, incluindo adolescentes e pessoas idosas.

O chefe de direitos humanos citou denúncias de incentivos oficiais para que cidadãos incriminem familiares, vizinhos e colegas através de uma aplicação estatal. Turk ressalta que a prática promove medo e autocensura.

Detenções, desaparecimentos e condições prisionais

O relatório oral destacou a continuação de detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e o uso de leis antiterrorismo de formulação vaga.

Volker Turk manifestou profunda preocupação com as condições de detenção, caracterizadas por falta de alimentos, medicamentos e restrições a visitas familiares.

Vista panorâmica de Caracas, Venezuela, com edifícios residenciais em primeiro plano e uma grande cordilheira verde ao fundo.
UN News Caracas, capital da Venezuela

O alto comissário indicou que o seu escritório documentou pelo menos cinco mortes de pessoas detidas em ligação às eleições presidenciais de 2024, sublinhando a necessidade de investigações independentes.

Ele mencionou ainda transferências de detidos para locais desconhecidos, algumas equivalentes a desaparecimentos forçados, e a detenção incomunicável em centros como Helicoide, Rodeo I e Fuerte Guaicaipuro.

Impacto social, econômico e situação humanitária

Paralelamente à repressão, Turk ressaltou que a população enfrenta uma grave crise socioeconômica, marcada por pobreza, insegurança alimentar e dificuldades no acesso a serviços básicos.

O comunicado revela que a inflação de 270% projetada para 2025 e o baixo valor do salário mínimo em relação ao custo de bens essenciais colocam famílias perante escolhas entre alimentação e medicação.

O alto comissário alertou também para o impacto desproporcional das sanções setoriais amplas sobre os mais vulneráveis e para os obstáculos impostos ao trabalho de entidades humanitárias e de direitos humanos.