Dezenas de crianças mortas em ataques a civis e infraestrutura no Sudão
Locais atingidos recentemente incluem jardim de infância e hospital que tratava vítimas da violência; chefe da ONU pede que todas as partes envolvidas cumpram suas obrigações ditadas por leis internacionais.
Casos de dezenas de crianças e outros civis mortos nos mais recentes ataques na área sudanesa de Cordofão do Sul preocupam as Nações Unidas.
Uma nota do secretário-geral, António Guterres, confirmou pelo menos três ataques distintos com drones na cidade de Kalogi realizados na quinta-feira. Pelo menos dois deles atingiram um jardim de infância e um terceiro teve como alvo um hospital para qual os feridos foram levados para tratamento.
116 vítimas fatais
A ONU informa que após o ataque realizado pelas Forças de Apoio Rápido do Sudão, SRF, foram confirmadas 46 crianças entre as 116 vítimas fatais.
Guterres condena “todos os ataques contra civis e infraestrutura da população”. Ele enfatiza que a destruição de escolas e hospitais podem ser considerados graves violações do direito internacional humanitário.
A nota ressalta que todas as partes devem respeitar e proteger os civis no Sudão, além de permitir e facilitar a passagem rápida e desimpedida de ajuda humanitária, incluindo cuidados médicos para os civis necessitados.
Na área de Cordofão do Norte um ataque aéreo atingiu um comboio humanitário que levava ajuda alimentar para Darfur do Norte. A agressão danificou um caminhão do Programa Mundial de Alimentos e o motorista foi gravemente ferido.
Condições associadas à fome
O chefe da ONU reitera que a ação contra a comunidade humanitária aconteceu num momento de extrema necessidade da população.
Com a piora da crise humanitária na região de Cordofão, os artigos essenciais estão acabando. Em Kadugli, capital do estado de Cordofão do Sul, foram recentemente confirmadas condições associadas à fome.
A situação é acompanhada por um aumento de violações e abusos dos direitos humanos relatados em El Fasher nos últimos meses. Segundo Guterres, estes episódios “não devem se repetir” em Cordofão.
Armas que alimentam o conflito
O secretário-geral apelou a todos os Estados com influência sobre as partes em conflito para que tomem medidas imediatas e “usem a sua influência para exigir um fim imediato dos combates e que interrompam do fluxo de armas que alimenta o conflito”.
Além disso, o chefe da ONU pediu que todas as partes cumpram as suas obrigações ao abrigo de leis internacionais em todas as áreas de conflito ativo no Sudão, incluindo as regiões de Cordofão e Darfur.
Guterres termina a nota solicitando o fim imediato dos combates e a retomada das negociações visando alcançar um cessar-fogo duradouro e um processo político abrangente, inclusivo e liderado pelos sudaneses.